sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Tecnologia

Em 2030, segurança digital e experiência do usuário devem abrir novas frentes no trabalho

Levantamento destacado no relatório “Core Skills in 2030” indica que inteligência artificial, análise de dados, criatividade, liderança e inteligência emocional devem ganhar importância, enquanto tarefas mais automatizáveis tendem a perder espaço como diferencial profissional.
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O mercado de trabalho deve chegar a 2030 com uma combinação mais ampla de exigências profissionais. Além do domínio de ferramentas digitais, empresas deverão valorizar a capacidade de interpretar informações, criar soluções, liderar equipes e responder a mudanças com agilidade.

Essa é a projeção apresentada em um estudo do Fórum Econômico Mundial, destacado no relatório “Core Skills in 2030”. O levantamento reúne as expectativas de empregadores ao redor do mundo e organiza as competências em quatro grupos: habilidades emergentes, habilidades essenciais para 2030, habilidades estáveis e habilidades fora de foco.

O material foi apresentado por Tiago Paiva em 27 de março de 2025, em uma análise sobre a transformação do trabalho diante do avanço tecnológico, das mudanças sociais e das novas demandas do setor produtivo.

Quatro grupos organizam as competências

A divisão proposta no estudo ajuda a separar as habilidades que já ocupam posição central e devem continuar avançando daquelas que surgem como novas exigências. Também diferencia competências que tendem a manter importância e outras que podem deixar de funcionar como principal critério de diferenciação profissional.

Na primeira frente estão as habilidades consideradas essenciais para 2030. O grupo reúne competências relacionadas à inteligência artificial, à análise de dados, à criatividade, à adaptação, à liderança, ao uso de tecnologia e à inteligência emocional.

Outro conjunto é formado pelas habilidades emergentes. Nesse grupo aparecem cibersegurança, redes, gestão ambiental, sustentabilidade, design, experiência do usuário, curiosidade e aprendizado contínuo.

O estudo também identifica competências que podem perder força como diferenciais. Leitura, escrita e matemática básica continuam sendo apresentadas como fundamentais, mas não devem concentrar o desenvolvimento profissional, segundo a análise. O mesmo vale para tarefas de destreza manual e precisão e para atividades baseadas principalmente em atenção aos detalhes.

Inteligência artificial e dados ganham espaço

A inteligência artificial e o big data aparecem entre as competências que devem avançar no mercado. A digitalização dos processos e a automação ampliam a necessidade de profissionais capazes de compreender ferramentas de análise e utilizá-las no apoio à tomada de decisões.

O domínio dessas tecnologias não é apresentado como uma exigência restrita às áreas de tecnologia da informação. A alfabetização tecnológica também deve alcançar profissionais de outros setores, já que ferramentas digitais, softwares de automação e sistemas de análise de dados tendem a fazer parte da rotina de diferentes atividades.

Nesse cenário, conhecer o funcionamento básico das tecnologias passa a ser uma competência associada ao cotidiano profissional. A expectativa descrita no estudo é que o uso desses recursos esteja integrado a processos de trabalho cada vez mais digitalizados.

Análise e criatividade permanecem no centro

O avanço da automação não elimina a necessidade de competências humanas. O pensamento analítico e a criatividade aparecem como habilidades importantes para a resolução de problemas complexos, a interpretação de informações e a criação de soluções.

De acordo com a análise, a criatividade humana deve manter papel relevante justamente em um ambiente no qual atividades repetitivas podem ser realizadas por sistemas automatizados. O diferencial estaria na capacidade de desenvolver novas ideias e aplicá-las a produtos, serviços e processos.

O pensamento analítico, por sua vez, está ligado à leitura de dados e à avaliação de situações que exigem decisão. A combinação entre interpretação, raciocínio e inovação é apontada como parte do perfil profissional projetado para os próximos anos.

Adaptação passa a ser exigência recorrente

Resiliência, flexibilidade e agilidade também integram o grupo das competências essenciais para 2030. A projeção considera que a velocidade das mudanças no mercado exigirá profissionais capazes de lidar com desafios e responder a novas demandas.

A análise associa esse comportamento ao chamado mindset ágil, apresentado como um dos pilares das organizações. A habilidade de ajustar rotas, aprender com situações novas e acompanhar transformações deve ganhar importância em diferentes funções.

Essa adaptação não aparece isolada das competências técnicas. O perfil descrito pelo estudo combina capacidade de mudança com domínio de recursos digitais, pensamento analítico, criatividade e disposição para continuar aprendendo.

Liderança e inteligência emocional

A liderança e a influência social também aparecem entre as habilidades projetadas como essenciais. Conforme a análise, equipes mais diversificadas e distribuídas globalmente devem aumentar a procura por líderes capazes de orientar e motivar pessoas em ambientes remotos e multiculturais.

O levantamento ainda destaca motivação e autoconsciência. Profissionais com maior inteligência emocional, capazes de administrar as próprias emoções e manter a motivação, são apresentados como mais preparados para lidar com as exigências das funções.

Essas competências estão relacionadas à forma como as pessoas trabalham, colaboram e enfrentam dificuldades. Na visão apresentada no material, o desempenho profissional não dependerá apenas do conhecimento técnico ou do domínio de ferramentas.

Cibersegurança e sustentabilidade entre as habilidades emergentes

Entre as competências que crescem em importância estão cibersegurança e redes. A digitalização dos negócios amplia a preocupação com a segurança da informação e sustenta a expectativa de aumento da demanda por profissionais especializados nessa área.

Gestão ambiental e sustentabilidade também aparecem no grupo das habilidades emergentes. A análise relaciona esse movimento ao foco crescente das empresas em práticas sustentáveis, o que pode tornar o conhecimento sobre gestão ambiental relevante em diferentes setores.

O design e a experiência do usuário formam outra frente de expansão. No ambiente digital, a experiência do consumidor é apresentada como um fator de diferenciação para marcas e produtos. Por isso, o design centrado no usuário tende a ganhar espaço entre as competências valorizadas.

Essas habilidades não substituem as competências essenciais identificadas no estudo. Elas se somam a elas e indicam áreas que podem oferecer novos caminhos de especialização para profissionais interessados em acompanhar a transformação do mercado.

Aprendizado contínuo como resposta às mudanças

A curiosidade e o aprendizado contínuo completam o grupo das habilidades emergentes. Em um ambiente de transformação permanente, a capacidade de adquirir novos conhecimentos é apresentada como uma característica relevante para a trajetória profissional.

O material sustenta que a formação não termina com a entrada no mercado ou com a conclusão de uma etapa educacional. A atualização constante passa a ser necessária para acompanhar novas tecnologias, processos e demandas das empresas.

Essa perspectiva também envolve as organizações. Segundo a análise, empresas que investirem na capacitação dos funcionários poderão contar com equipes mais preparadas para enfrentar os desafios associados à economia digital.

Competências que deixam de ser diferenciais

O estudo não afirma que determinadas habilidades deixarão de ter utilidade. A indicação é que algumas delas tendem a perder relevância como diferenciais competitivos à medida que ferramentas automatizadas assumem parte dessas tarefas.

Leitura, escrita e matemática básica continuam descritas como fundamentais. No entanto, a análise aponta que essas competências não devem ser o foco principal do desenvolvimento profissional para 2030, porque sistemas automatizados poderão realizar parte das funções relacionadas a elas.

A destreza manual e a precisão também aparecem entre as habilidades com tendência de perda de relevância. O material relaciona esse movimento à automação de tarefas que exigem habilidades motoras e físicas detalhadas, especialmente na manufatura e na indústria.

Atenção aos detalhes e precisão permanecem importantes em algumas áreas, mas também são apresentadas como competências sujeitas à redução de valor relativo diante do avanço da inteligência artificial e da automação em atividades específicas.

Preparação profissional combina tecnologia e comportamento

A síntese apresentada no relatório aponta para um mercado que deverá cobrar mais do que o conhecimento de ferramentas. Inteligência artificial, big data e alfabetização tecnológica aparecem ao lado de pensamento analítico, criatividade, liderança, resiliência e inteligência emocional.

O desenvolvimento profissional projetado para 2030, portanto, reúne diferentes dimensões. De um lado, estão as competências necessárias para compreender tecnologias e trabalhar com dados. De outro, aparecem habilidades associadas à inovação, à colaboração, à motivação e à capacidade de adaptação.

A conclusão do material é que o aprendizado contínuo será decisivo para acompanhar a transformação do trabalho. Profissionais que desenvolverem pensamento analítico, criatividade, liderança e alfabetização digital são apontados como mais preparados para disputar oportunidades em um cenário de mudanças.

Para as empresas, a capacitação dos funcionários é apresentada como parte da preparação para a economia digital. A combinação entre formação técnica e desenvolvimento de habilidades comportamentais deve orientar a adaptação de equipes às novas exigências do mercado.

Sobre o autor

Tiago Paiva é publicitário e estudou Liderança da Inovação no MIT, Instituto de Tecnologia de Massachusetts, e Direção de Projetos Complexos em Cambridge. Atuou à frente da Gerência de Projetos Estratégicos no Ministério da Educação e foi membro do Conselho da RNP.

Também liderou o planejamento de projetos complexos, como Ronda no Bairro e Modernização do Transporte Público em Manaus. Como diretor-presidente da Processamento de Dados do Amazonas, gerenciou um orçamento de R$ 350 milhões, com transparência e prestação de contas, segundo o material.

Paiva coordenou inovações técnicas e administrativas e, como coordenador-geral de Modernização da Suframa, trabalhou com o desenvolvimento econômico e a gestão de incentivos fiscais no Polo Industrial de Manaus. Também liderou projetos estaduais no governo do Amazonas, com atuação relacionada ao desenvolvimento sustentável.

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