sexta-feira, 23 de outubro de 2026
CIDADES

Nova Xavantina ganha destaque no leste mato-grossense pela história, natureza e localização estratégica

Nova Xavantina, no leste de Mato Grosso, reúne uma trajetória marcada pela Expedição Roncador-Xingu, pela presença indígena, pela ocupação do território e pela importância do Rio das Mortes para a formação do município.

Nova Xavantina ocupa posição de destaque no leste de Mato Grosso por reunir elementos históricos, culturais, ambientais e econômicos que ajudam a explicar a formação do Médio Araguaia. Localizado às margens do Rio das Mortes, o município surgiu em meio às políticas de interiorização do governo brasileiro e se desenvolveu a partir da presença de expedições, comunidades indígenas, projetos de colonização e atividades ligadas ao campo.

A história local está diretamente relacionada à Expedição Roncador-Xingu, criada na década de 1940 no contexto da chamada Marcha para o Oeste. A iniciativa pretendia ampliar a ocupação do interior do país, abrir caminhos e estabelecer pontos de apoio em áreas ainda pouco integradas aos principais centros urbanos e econômicos.

Com o passar das décadas, a antiga Xavantina deixou de ser apenas um ponto de apoio de expedições e passou a exercer funções administrativas, comerciais e de serviços para municípios e comunidades do entorno. Hoje, Nova Xavantina também se apresenta como destino de natureza, com rios, praias fluviais, cachoeiras e áreas de transição entre o Cerrado e a Amazônia.

Uma cidade formada no avanço para o interior

O processo que deu origem a Nova Xavantina ganhou impulso durante o governo do presidente Getúlio Vargas, quando o Estado brasileiro passou a estimular a ocupação de áreas do Centro-Oeste. A política ficou conhecida como Marcha para o Oeste e tinha entre seus objetivos ampliar a presença institucional do governo, criar novas rotas e estimular a formação de núcleos urbanos.

Em 1943, a Expedição Roncador-Xingu avançou pela região do Rio das Mortes. A expedição era comandada pelo coronel Flaviano de Matos Vanique e fazia parte de um projeto mais amplo de reconhecimento e integração do território nacional.

Em 14 de abril de 1944, foi lançada a pedra fundamental de Xavantina na margem direita do Rio das Mortes. O nome escolhido fazia referência ao povo indígena Xavante, cuja presença histórica está ligada ao leste de Mato Grosso. Em maio daquele ano, o presidente Getúlio Vargas visitou o local acompanhado de integrantes de sua comitiva.

A instalação do núcleo marcou uma etapa importante na ocupação institucional da região. A área, porém, não era um espaço vazio. Antes da chegada das frentes de expansão, diferentes povos indígenas já mantinham relações de uso, circulação e pertencimento com o território. A história de Nova Xavantina, portanto, envolve tanto as políticas estatais de ocupação quanto os impactos provocados sobre as populações originárias.

O papel do Rio das Mortes

O Rio das Mortes foi decisivo para a formação de Nova Xavantina. Além de funcionar como referência geográfica, o curso d’água serviu como rota de deslocamento e elemento de conexão entre diferentes pontos do leste mato-grossense.

A cidade se desenvolveu em uma área marcada por rios, serras, matas e campos. A paisagem ajudou a definir as atividades econômicas e também contribuiu para a criação de uma identidade local associada à vida ribeirinha e ao contato com a natureza.

Com o tempo, o Rio das Mortes passou a ter importância também para o turismo. Praias naturais, ilhas fluviais, áreas de pesca esportiva e locais utilizados para lazer fazem parte dos atrativos divulgados pelo município. A presença do rio, entretanto, exige cuidados de preservação, especialmente diante da pressão provocada pelo crescimento urbano, pela produção rural e pelo aumento da visitação.

Da ocupação inicial à criação do município

Após a instalação do núcleo de Xavantina, houve tentativas de promover assentamentos agrícolas na região. Um dos projetos foi conduzido pela Fundação Brasil Central, mas não avançou como planejado. Parte dos colonos deixou a área e se espalhou por outras regiões do leste e do norte de Mato Grosso.

O crescimento mais consistente ocorreu a partir da década de 1950, quando novas frentes de ocupação passaram a atuar no território. A abertura de caminhos, a chegada de famílias e a expansão das atividades agropecuárias contribuíram para o fortalecimento da comunidade.

Em 1963, a área foi transformada em distrito pela Lei nº 2.059, de 14 de dezembro. A sede recebeu inicialmente a denominação de Ministro João Alberto. Anos depois, em 1976, foi criado o distrito de Nova Brasília, localizado na margem esquerda do Rio das Mortes, em frente ao núcleo de Ministro João Alberto.

Na prática, os dois distritos formavam uma única comunidade, separada pelo rio. Quando começou a discussão sobre a emancipação política, também surgiu uma disputa em torno do nome que seria adotado pelo novo município. A solução foi combinar as duas denominações: de Nova Brasília veio o termo “Nova”; de Xavantina, o nome associado à localidade original e ao povo Xavante.

Nova Xavantina foi criada pela Lei Estadual nº 4.176, de 3 de março de 1980, com território desmembrado de Barra do Garças e abrangendo os distritos de Ministro João Alberto e Nova Brasília. A emancipação representou uma nova fase administrativa e política para a região.

Colonização e transformação econômica

A formação de Nova Xavantina ocorreu em um período de mudanças aceleradas no Centro-Oeste. A partir das décadas de 1960 e 1970, políticas federais e estaduais estimularam a abertura de estradas, a criação de projetos de colonização e a transferência de agricultores de outras partes do país.

No leste mato-grossense, esse movimento levou à chegada de famílias vindas principalmente das regiões Sul e Sudeste. A expansão agrícola contribuiu para a formação de novos municípios e para a transformação de localidades que já existiam. Nova Xavantina passou a se relacionar com uma rede regional formada por cidades como Água Boa, Canarana, Campinápolis, Cocalinho, Querência e Barra do Garças.

A agricultura e a pecuária tornaram-se atividades relevantes para a economia municipal. A produção rural também estimulou o comércio, o transporte, a prestação de serviços e a circulação de pessoas. Ao mesmo tempo, a expansão do agronegócio trouxe desafios relacionados ao uso do solo, à conservação dos recursos hídricos e à convivência com áreas indígenas e de proteção ambiental.

O município também possui histórico de exploração mineral. A combinação entre produção agropecuária, comércio, serviços e atividades relacionadas aos recursos naturais ajudou a consolidar Nova Xavantina como um centro de referência para parte do leste de Mato Grosso.

Natureza e turismo no Médio Araguaia

Além da importância histórica, Nova Xavantina ganhou visibilidade pelas características naturais do território. A cidade está inserida em uma região de transição entre o Cerrado e a Amazônia, com formações rochosas, rios, cachoeiras, trilhas e áreas de vegetação nativa.

O Rio das Mortes é o principal elemento da paisagem e concentra parte dos atrativos turísticos. Durante períodos de menor nível das águas, surgem praias fluviais e bancos de areia utilizados para descanso, recreação e atividades esportivas. A pesca esportiva também aparece entre as práticas associadas ao rio.

As cachoeiras e as trilhas ampliam o potencial para o ecoturismo. Esses espaços, no entanto, dependem de infraestrutura adequada, sinalização, orientação aos visitantes e medidas de segurança. A preservação das margens, o controle de resíduos e o respeito às áreas protegidas são fundamentais para que o turismo não comprometa os próprios recursos que sustentam a atividade.

A divulgação oficial do município destaca ainda a relação da região com a Serra do Roncador e com o circuito turístico Roncador-Xingu. O imaginário associado às serras, às formações rochosas e às narrativas sobre o interior do Brasil contribuiu para tornar a área conhecida além dos limites estaduais. A história, a paisagem e as manifestações culturais formam um conjunto que diferencia Nova Xavantina de outros municípios mato-grossenses.

Memória e patrimônio histórico

A preservação da memória local passou a ocupar espaço nas discussões sobre cultura e turismo. Entre os imóveis relacionados à história do município estão a Casa do Coronel Vanique, considerada a primeira casa de alvenaria de Nova Xavantina, a Casa dos Irmãos Villas Boas e a Capela de Nossa Senhora Auxiliadora.

A Casa do Coronel Vanique é apontada como um dos principais símbolos do período de formação da cidade. O imóvel foi tombado como patrimônio cultural do município e passou por discussões sobre conservação, adequação e possível implantação de um museu.

A valorização desses espaços permite preservar documentos, objetos e relatos ligados à formação de Nova Xavantina. Também ajuda a apresentar a história da cidade de forma mais ampla, incluindo os projetos de ocupação, a atuação das expedições, a presença indígena, a chegada de migrantes e a construção das instituições locais.

O patrimônio histórico, contudo, não se resume a prédios antigos. Ele também envolve festas, costumes, relatos de moradores, paisagens, formas de trabalho e relações estabelecidas com o Rio das Mortes. A memória coletiva é formada por diferentes experiências e precisa ser apresentada com atenção à diversidade dos grupos que participaram da trajetória regional.

Educação e integração regional

Com a expansão urbana e administrativa, Nova Xavantina passou a concentrar serviços utilizados por moradores de comunidades rurais e de municípios próximos. A presença de instituições de ensino superior também contribuiu para ampliar a circulação de estudantes, pesquisadores e profissionais.

A produção de conhecimento sobre biodiversidade, turismo, agricultura e história regional fortalece o papel do município no Médio Araguaia. A pesquisa pode ajudar a documentar espécies, avaliar impactos ambientais, aperfeiçoar atividades produtivas e qualificar a preservação do patrimônio cultural.

Esse processo também reforça a necessidade de planejamento. O crescimento da cidade e do turismo precisa ser acompanhado por políticas de saneamento, mobilidade, conservação ambiental, proteção do patrimônio e melhoria dos serviços públicos. A posição regional de Nova Xavantina cria oportunidades, mas também aumenta a responsabilidade sobre o uso do território.

Uma referência do leste mato-grossense

De um núcleo criado no contexto da Marcha para o Oeste, Nova Xavantina se transformou em um município com funções econômicas, administrativas e culturais no leste de Mato Grosso. Sua trajetória combina a história da ocupação do Centro-Oeste, a presença indígena, a formação de comunidades ribeirinhas, a expansão agropecuária e a busca por novas alternativas de desenvolvimento.

Segundo informações divulgadas pelo portal turístico municipal com base no Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, Nova Xavantina tinha 24.345 habitantes. O dado ajuda a dimensionar a cidade dentro da região, mas sua influência ultrapassa o número de moradores: o município funciona como ponto de circulação, serviços, comércio, educação e turismo para uma área mais ampla.

O destaque de Nova Xavantina está, portanto, na combinação entre localização, memória e paisagem. A cidade reúne marcas de diferentes períodos da história mato-grossense e mantém no Rio das Mortes um dos principais elementos de sua identidade. Preservar esse patrimônio e planejar o crescimento são tarefas decisivas para que o município avance sem perder as referências que explicam sua origem.