As mudanças climáticas em Mato Grosso chamam atenção pelos efeitos sobre o calor, o regime de chuvas, a ocorrência de incêndios florestais, a qualidade do ar e a disponibilidade de água. O cenário exige que moradores, produtores rurais, empresas e órgãos públicos acompanhem as previsões e adotem medidas de prevenção.
Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que o fenômeno El Niño estava em nível forte e poderia intensificar o calor e reduzir o volume de chuvas no Centro-Oeste. A combinação aumenta o risco de incêndios, de concentração de fumaça e de problemas relacionados à desidratação e às doenças respiratórias. As informações foram divulgadas em 16 de setembro de 2026, em uma atualização sobre a preparação do Sistema Único de Saúde para o período.
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima também havia alertado, em julho, para o aumento do risco de incêndios florestais entre agosto e outubro, especialmente em áreas da Amazônia, do Cerrado e do Centro-Oeste. O quadro reforça a importância de consultar fontes oficiais antes de realizar atividades ao ar livre, viajar ou trabalhar em regiões afetadas por fumaça e baixa umidade.
O que está mudando no clima de Mato Grosso
Mato Grosso reúne áreas de Amazônia, Cerrado e Pantanal. Essa diversidade ambiental faz com que os impactos do clima variem entre as regiões, mas alguns efeitos podem ocorrer de forma simultânea: temperaturas elevadas, períodos secos mais prolongados, chuvas irregulares e aumento da ocorrência de eventos extremos.
As mudanças não significam apenas que os dias estão mais quentes. Também envolvem alterações na distribuição das chuvas, mudanças no início e no fim das estações, maior pressão sobre rios e reservatórios e condições mais favoráveis à propagação do fogo em áreas de vegetação seca.
Para a população, isso pode representar mudanças na rotina, necessidade de maior consumo de água, piora de sintomas respiratórios e aumento da atenção com crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas. No campo, o clima afeta o planejamento do plantio, a produtividade, o manejo do solo e a disponibilidade de água para animais e atividades produtivas.
Calor intenso exige cuidados durante todo o dia
Em períodos de temperaturas elevadas, a recomendação é evitar exposição prolongada ao sol, principalmente nos horários mais quentes. Atividades físicas e serviços pesados devem ser feitos, sempre que possível, nos horários de menor calor. O uso de roupas leves, proteção para a cabeça e filtro solar ajuda a reduzir os efeitos da radiação e do aquecimento excessivo do corpo.
A hidratação deve ser mantida ao longo do dia, sem esperar o surgimento da sede. Crianças pequenas, idosos e pessoas doentes podem ter mais dificuldade para perceber ou comunicar a necessidade de água. Por isso, familiares e cuidadores devem observar sinais como boca seca, fraqueza, tontura, dor de cabeça, confusão e redução da urina.
Quando esses sintomas aparecem de forma intensa ou persistente, é importante procurar atendimento de saúde. Desmaio, confusão mental, dificuldade para respirar, dor no peito ou piora rápida do estado geral exigem avaliação imediata pelos serviços de emergência.
Fumaça e baixa umidade aumentam risco para a saúde
A fumaça de queimadas contém partículas que podem irritar os olhos, o nariz, a garganta e os pulmões. Em pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar ou problemas cardiovasculares, a exposição pode agravar sintomas. Crianças e idosos também costumam ser mais vulneráveis à piora da qualidade do ar.
Nos dias com fumaça, a orientação é reduzir a permanência ao ar livre, especialmente durante os períodos de maior concentração de poluentes. Portas e janelas podem ser mantidas fechadas quando o ambiente externo estiver tomado por fumaça. Atividades físicas ao ar livre devem ser evitadas enquanto a qualidade do ar estiver ruim.
Também é necessário observar sintomas como tosse persistente, chiado, falta de ar, irritação intensa nos olhos, dor de garganta e piora de doenças respiratórias. Pessoas que já utilizam medicamentos devem seguir a prescrição médica e não interromper tratamentos por conta própria.
Informações sobre qualidade do ar e condições meteorológicas devem ser buscadas em canais oficiais, como o Ministério da Saúde, o Instituto Nacional de Meteorologia e os órgãos estaduais e municipais de saúde e defesa civil.
Como agir em caso de incêndio ou queimadas
O fogo em área de vegetação pode se espalhar rapidamente, principalmente quando há vento, baixa umidade e material seco no solo. A população não deve tentar combater incêndios de grandes proporções sem treinamento e equipamentos adequados.
Ao identificar fogo próximo de residências, estradas, propriedades rurais ou áreas de preservação, o morador deve manter distância, retirar crianças e pessoas vulneráveis da área de risco e comunicar a ocorrência às autoridades competentes. O contato deve ser feito pelos canais oficiais de emergência disponíveis na localidade.
Motoristas que encontrarem fumaça sobre rodovias precisam reduzir a velocidade, manter os faróis acesos e evitar parar no meio da pista. Se a visibilidade estiver comprometida, a viagem deve ser interrompida em local seguro, distante da área de fogo e fora do acostamento de circulação.
Queimadas para limpeza de terrenos ou manejo rural não devem ser realizadas sem conhecimento das regras ambientais e das condições autorizadas pelos órgãos responsáveis. O fogo pode sair de controle, atingir áreas vizinhas e provocar danos à saúde, à fauna, à flora e à infraestrutura.
Uso consciente da água ganha importância
Períodos de estiagem aumentam a pressão sobre rios, córregos, poços, reservatórios e sistemas de abastecimento. Mesmo quando não há interrupção imediata do fornecimento, o consumo responsável ajuda a reduzir desperdícios e preserva a disponibilidade para atividades essenciais.
Medidas simples incluem consertar vazamentos, fechar a torneira durante a escovação dos dentes, reduzir o tempo de banho, reaproveitar água quando for seguro e evitar a lavagem de calçadas com mangueira. Em imóveis rurais, a manutenção de caixas-d’água, bebedouros e sistemas de captação ajuda a evitar perdas.
A Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Mato Grosso publicou, em 2026, normas relacionadas à prestação dos serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário. As regras tratam de condições de atendimento, indicadores operacionais, fiscalização e direitos dos usuários nos municípios regulados.
Em caso de falta d’água, alteração na qualidade, vazamento ou problema no esgotamento sanitário, o consumidor deve registrar a reclamação primeiro com a empresa responsável pelo serviço e guardar o número do protocolo. Se a situação não for resolvida, pode buscar os canais de atendimento do município ou do órgão regulador responsável.
Quem precisa de atenção redobrada
Os efeitos do calor, da fumaça e da baixa umidade não atingem todas as pessoas da mesma maneira. Crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com deficiência, trabalhadores expostos ao sol e moradores de áreas próximas a queimadas estão entre os grupos que podem precisar de cuidados adicionais.
Pessoas com asma, doença pulmonar obstrutiva crônica, doenças cardíacas, diabetes ou problemas renais devem seguir as orientações de seus profissionais de saúde. A combinação de calor, perda de líquidos e esforço físico pode aumentar a sobrecarga do organismo.
Escolas, empresas e unidades de atendimento podem organizar pausas, ampliar a oferta de água e adaptar atividades externas quando houver alertas de calor extremo, fumaça ou baixa umidade. Trabalhadores que atuam ao ar livre devem utilizar equipamentos de proteção e receber orientações sobre sinais de exaustão pelo calor.
Como acompanhar os alertas oficiais
Antes de viajar, iniciar uma atividade rural, promover um evento ao ar livre ou realizar exercício físico, é recomendável verificar a previsão do tempo e os alertas meteorológicos. O Inmet divulga previsões e avisos para diferentes áreas do país. A Defesa Civil também publica orientações e informações sobre riscos associados a eventos extremos.
Em Mato Grosso, a população pode consultar ainda os canais da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, do Corpo de Bombeiros Militar, das prefeituras e das secretarias municipais de saúde. Como alertas e condições locais podem mudar rapidamente, é importante conferir a data e o horário da informação antes de tomar decisões.
Mensagens recebidas em redes sociais ou aplicativos de conversa não devem ser tratadas como confirmação. O ideal é verificar se o conteúdo foi publicado por um órgão oficial, se apresenta data, área afetada e prazo de validade e se coincide com as informações dos canais públicos.
Adaptação climática depende de planejamento
As mudanças climáticas em Mato Grosso não podem ser enfrentadas apenas com medidas individuais. O planejamento urbano, a proteção de nascentes, a prevenção de incêndios, a melhoria do saneamento e o fortalecimento dos serviços de saúde também são necessários para reduzir riscos.
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente informa que Mato Grosso aderiu à iniciativa AdaptaCidades, voltada à elaboração de planos municipais de adaptação à mudança do clima. A proposta prevê apoio técnico, capacitação e produção de informações para que os municípios avaliem seus riscos e definam ações de prevenção.
Para o cidadão, acompanhar consultas públicas, participar de ações comunitárias, denunciar queimadas ilegais e utilizar a água de forma responsável são formas de contribuir. Também é importante manter documentos, medicamentos, contatos de emergência e informações de familiares organizados em períodos de maior risco.
O que fazer agora
Em dias de calor intenso, a prioridade é hidratar-se, reduzir a exposição ao sol e observar os grupos mais vulneráveis. Quando houver fumaça, a recomendação é evitar exercícios ao ar livre, diminuir o tempo de exposição e procurar atendimento diante de sintomas respiratórios importantes.
Em áreas com risco de incêndio, a população deve acompanhar os alertas, manter distância das chamas e comunicar ocorrências pelos canais oficiais. Durante a seca, o uso racional da água ajuda a preservar o abastecimento e reduz a pressão sobre os mananciais.
As condições climáticas podem mudar de um município para outro e sofrer alterações ao longo do dia. Por isso, a orientação mais segura é combinar cuidados preventivos com o acompanhamento frequente de informações oficiais de meteorologia, saúde, meio ambiente e defesa civil.








