sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde infantil recebe reforço em municípios de Mato Grosso com foco em vacinação e atenção primária

Municípios de Mato Grosso participam de estratégias estaduais e federais voltadas à vacinação infantil, à atenção primária e à organização do cuidado materno-infantil. Entre as medidas estão a distribuição da vacina pneumocócica 20-valente, a campanha de multivacinação e o programa Imuniza Mais MT.

A saúde infantil recebe reforço em municípios de Mato Grosso por meio de ações de vacinação, fortalecimento da atenção primária e organização da rede de cuidado materno-infantil. As iniciativas envolvem o governo estadual, o Ministério da Saúde e as prefeituras, responsáveis por executar boa parte dos atendimentos diretamente nas unidades básicas de saúde.

Entre as medidas recentes estão a distribuição da vacina pneumocócica 20-valente, a campanha de multivacinação realizada em 2026 e o repasse de recursos a municípios com melhor desempenho no programa Imuniza Mais MT. As estratégias têm como objetivo ampliar a proteção contra doenças, recuperar coberturas vacinais e facilitar o acompanhamento das crianças desde os primeiros anos de vida.

O movimento ocorre em um cenário no qual a vacinação de rotina continua sendo considerada uma das principais ferramentas de prevenção na infância. O calendário nacional orienta a aplicação de imunizantes desde o nascimento e reúne vacinas contra doenças como hepatite B, tuberculose, poliomielite, rotavírus, meningites, febre amarela, sarampo, caxumba, rubéola e varicela. (gov.br)

Vacinação infantil concentra parte das ações

Em agosto de 2026, o Ministério da Saúde informou que Mato Grosso havia recebido 3,4 milhões de doses de vacinas ao longo do ano. A informação foi divulgada durante a Campanha de Multivacinação, voltada à atualização da caderneta de crianças e adolescentes menores de 15 anos. A mobilização teve o Dia D nacional em 22 de agosto e foi encerrada em 1º de setembro. (gov.br)

A campanha incluiu a conferência da situação vacinal e a aplicação apenas das doses necessárias para iniciar ou completar os esquemas previstos. A orientação aos pais e responsáveis foi levar a caderneta aos serviços de saúde para que os profissionais verificassem o histórico de cada criança.

Mesmo após o encerramento da mobilização, a vacinação de rotina permanece disponível durante todo o ano nas unidades de saúde. O Ministério da Saúde informa que a ausência do cartão não impede a aplicação das vacinas indicadas. Em caso de perda, a família pode solicitar uma nova via e também consultar registros pelo aplicativo Meu SUS Digital, mediante acesso à conta Gov.br. (gov.br)

Em Mato Grosso, a campanha de multivacinação de 2025 aplicou 146.764 doses em crianças e adolescentes de até 15 anos nos 142 municípios do estado. No Dia D daquele ano, realizado em 18 de outubro, foram aplicadas 18.333 doses. Os números mostram o peso das mobilizações concentradas para localizar pessoas com esquemas atrasados, embora não substituam a vacinação regular. (secom.mt.gov.br)

Nova vacina amplia proteção contra doenças graves

Outra medida adotada em 2026 foi a incorporação da vacina pneumocócica conjugada 20-valente ao Sistema Único de Saúde. Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde recebeu 14.700 doses e encaminhou os imunizantes aos Escritórios Regionais de Saúde, responsáveis pelo abastecimento dos municípios.

A vacina passou a integrar a rotina para crianças menores de 5 anos, conforme as orientações do Ministério da Saúde. O imunizante amplia a proteção contra doenças provocadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, entre elas pneumonias e meningites. A aplicação depende da idade e do histórico vacinal da criança, por isso a avaliação deve ser feita pela equipe da unidade de saúde. (saude.mt.gov.br)

A inclusão da Pneumo 20 também foi destacada pelo Ministério da Saúde durante a campanha nacional de 2026. Segundo a pasta, aquela foi a primeira edição da multivacinação com o novo imunizante incorporado ao calendário nacional. A medida foi apresentada como parte do esforço para ampliar a proteção de crianças pequenas contra infecções pneumocócicas. (gov.br)

O calendário infantil passou ainda por atualização no caso da poliomielite. Desde 3 de agosto de 2026, o esquema passou a incluir o segundo reforço da vacina inativada contra a doença aos 4 anos de idade. A mudança complementa o esquema exclusivamente com a VIP adotado pelo Brasil desde 2024. (gov.br)

Incentivo financeiro busca melhorar desempenho municipal

O programa Imuniza Mais MT é uma das principais estratégias estaduais para estimular os municípios a elevar e manter as coberturas vacinais. Criado em 2021, o programa classifica as gestões municipais com base no desempenho na aplicação das vacinas que integram o calendário nacional para crianças menores de 2 anos.

Em fevereiro de 2026, a Secretaria de Estado de Saúde anunciou o repasse de R$ 6,28 milhões a 42 municípios classificados entre os melhores resultados de 2025. Os valores variaram de R$ 30 mil a R$ 500 mil, distribuídos por categorias e selos de desempenho. Conforme a secretaria, os recursos devem ser usados em ações e serviços relacionados à vacinação. (saude.mt.gov.br)

Entre os municípios premiados estavam Araguainha, Curvelândia, Reserva do Cabaçal, Salto do Céu, Itanhangá, Itiquira, Carlinda e Nova Lacerda, entre outros. A classificação foi organizada de acordo com o porte populacional e os selos obtidos, o que permitiu comparar municípios de tamanhos diferentes dentro de grupos específicos. (saude.mt.gov.br)

A estratégia estadual também foi associada à melhora das coberturas do calendário básico da criança entre 2020 e 2024. Dados divulgados pela SES-MT indicaram que as principais vacinas infantis ultrapassaram 90% de cobertura no período analisado. Os resultados, porém, devem ser observados por vacina, município e faixa etária, já que uma média geral não revela eventuais diferenças entre localidades ou imunizantes. (secom.mt.gov.br)

Atenção primária organiza o acompanhamento

A assistência à criança não se limita à aplicação de vacinas. Na atenção primária, as equipes também acompanham crescimento e desenvolvimento, orientam famílias, fazem encaminhamentos e identificam sinais que podem exigir avaliação especializada.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde informa que coordena e monitora o Programa Estadual de Triagem Neonatal Biológica. A área também trabalha na qualificação da rede estadual de triagem neonatal, uma etapa importante para detectar precocemente doenças e iniciar o acompanhamento adequado. (saude.mt.gov.br)

Documentos estaduais recentes mencionam ainda a elaboração de uma Linha de Cuidado Materno-Infantil, com a proposta de integrar a assistência desde a gestação até os primeiros anos de vida. A iniciativa busca organizar o fluxo entre os diferentes pontos da rede e qualificar o atendimento prestado por municípios, unidades regionais e serviços especializados. (saude.mt.gov.br)

Outra frente está relacionada ao programa Juntos Pela Saúde Plena, que reúne Estado e municípios para fortalecer a atenção primária. Entre as prioridades apresentadas estão o cuidado materno-infantil, a ampliação da cobertura vacinal e a melhoria dos indicadores de saúde. Em junho de 2026, Cuiabá e Várzea Grande aderiram à iniciativa. (saude.mt.gov.br)

Municípios têm papel central no atendimento

Embora o Estado participe do financiamento, da distribuição de vacinas, do apoio técnico e da coordenação de políticas, são os municípios que mantêm a maior parte do contato cotidiano com as famílias. As prefeituras organizam as salas de vacinação, registram as doses aplicadas, fazem busca ativa e definem estratégias para alcançar áreas urbanas, comunidades rurais e populações com maior dificuldade de acesso.

Essa responsabilidade é especialmente relevante em um estado extenso e com municípios de diferentes portes. A distância entre comunidades, a circulação de moradores entre cidades e a necessidade de atendimento em áreas rurais podem exigir ações descentralizadas, horários ampliados e articulação entre unidades básicas, escolas e agentes comunitários de saúde.

Nos municípios localizados na faixa de fronteira com a Bolívia, o Ministério da Saúde recomendou atenção especial à atualização da vacinação contra o sarampo. Em Mato Grosso, a orientação alcança Cáceres, Porto Esperidião, Pontes e Lacerda, Vila Bela da Santíssima Trindade e Comodoro. A recomendação considera a necessidade de reforçar a proteção em áreas sujeitas a maior circulação entre países. (gov.br)

Famílias devem manter acompanhamento regular

Para os responsáveis, a principal orientação é manter a caderneta atualizada e acompanhar as consultas previstas para a idade. A vacinação não deve ser deixada apenas para períodos de campanha, pois várias doses têm intervalos específicos e algumas oportunidades podem ser perdidas quando aplicadas fora da faixa recomendada.

A caderneta também reúne informações sobre vacinação, crescimento, desenvolvimento, alimentação, saúde bucal e prevenção de acidentes e violências. Por isso, o documento deve ser levado às consultas e apresentado sempre que a criança for atendida em uma unidade do SUS. (gov.br)

Em caso de dúvida sobre doses atrasadas, reação a vacinas ou necessidade de encaminhamento, a família deve procurar a unidade básica de referência do município. A equipe de saúde pode verificar o histórico individual e indicar as medidas adequadas conforme o calendário vigente e as condições clínicas da criança.

As ações desenvolvidas em Mato Grosso mostram que a saúde infantil depende de uma combinação de medidas: vacinação regular, campanhas de atualização, triagem neonatal, acompanhamento do desenvolvimento e integração entre os serviços. O desafio para os municípios é transformar os incentivos e programas em atendimento contínuo, com alcance territorial e capacidade de identificar precocemente as necessidades de cada criança.