sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde dos idosos é tema de ações em Mato Grosso

A saúde dos idosos em Mato Grosso envolve ações de prevenção, acompanhamento contínuo, atividade física, atendimento domiciliar e apoio a instituições de longa permanência. Estratégias previstas no SUS priorizam autonomia, segurança e qualidade de vida.

A saúde dos idosos em Mato Grosso é tratada por meio de ações de prevenção, acompanhamento contínuo e organização da rede de atendimento. As iniciativas envolvem a atenção primária do Sistema Único de Saúde (SUS), atividades de promoção da saúde, prevenção de quedas, assistência domiciliar e medidas de proteção para pessoas que vivem em instituições de longa permanência.

No Brasil, é considerada idosa a pessoa com 60 anos ou mais, conforme o Estatuto da Pessoa Idosa. O Ministério da Saúde orienta que o cuidado não seja limitado ao tratamento de doenças. Também devem ser avaliadas a capacidade funcional, a autonomia, o ambiente familiar, as condições sociais e a necessidade de apoio para as atividades do cotidiano.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde mantém uma área específica dedicada à saúde da pessoa idosa e disponibiliza materiais técnicos para orientar municípios e profissionais. Entre as publicações está uma cartilha sobre atividade física para pessoas idosas, divulgada em 2025.

Atenção primária concentra acompanhamento

A atenção primária é a principal porta de entrada para o acompanhamento regular da população idosa. É nesse nível de atendimento que podem ser identificadas alterações de saúde, necessidades de vacinação, riscos de quedas, dificuldades de locomoção, problemas de visão, uso excessivo de medicamentos e sinais de isolamento social.

O Ministério da Saúde recomenda o uso da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa e de instrumentos de avaliação multidimensional. Esses recursos ajudam a reunir informações sobre condições clínicas, funcionalidade, saúde mental, suporte familiar e fatores de risco.

A avaliação multidimensional permite que o atendimento seja planejado de acordo com as necessidades de cada pessoa. Um idoso independente pode precisar apenas de acompanhamento preventivo, enquanto outro, com limitações funcionais ou doenças crônicas, pode necessitar de atendimento multiprofissional, visitas domiciliares e encaminhamento para serviços especializados.

O objetivo é construir um plano de cuidados individualizado, com ações de curto, médio e longo prazo. A proposta também busca evitar a fragmentação do atendimento e melhorar a comunicação entre unidades básicas, serviços especializados, hospitais e profissionais que acompanham o paciente.

Prevenção de quedas e estímulo à atividade física

A prevenção de quedas é uma das frentes de atenção à saúde dos idosos. O Ministério da Saúde destaca que a maioria dos acidentes desse tipo ocorre dentro de casa. Iluminação insuficiente, tapetes soltos, obstáculos no caminho, ausência de barras de apoio e pisos escorregadios podem aumentar o risco.

O cuidado também inclui a avaliação periódica da visão, o uso de calçados adequados e o acompanhamento de doenças que afetam o equilíbrio ou a força muscular. Em pessoas com diabetes, a observação dos pés e a escolha de calçados apropriados são medidas importantes para reduzir complicações.

A prática de atividades físicas adaptadas à condição de cada pessoa contribui para fortalecer os músculos, melhorar o equilíbrio e preservar a independência. A recomendação, entretanto, é que o idoso procure orientação de profissionais de saúde para definir a atividade mais segura, especialmente quando houver doenças crônicas, dores, limitações de movimento ou histórico de quedas.

Em Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde publicou uma cartilha específica sobre atividade física para a pessoa idosa. O material faz parte do conjunto de publicações técnicas destinadas a apoiar ações de promoção da saúde nos municípios.

Cuidado deve considerar autonomia e funcionalidade

O envelhecimento é um processo diferente para cada pessoa. Dois idosos com a mesma idade podem apresentar condições físicas, emocionais e sociais muito distintas. Por isso, o atendimento deve considerar não apenas diagnósticos, mas também a capacidade de realizar tarefas, o grau de independência e a rede de apoio disponível.

Essa abordagem é especialmente relevante para pessoas que vivem sozinhas, têm dificuldade de acesso aos serviços, dependem de cuidadores ou apresentam limitações de mobilidade. A equipe de saúde pode identificar essas situações durante consultas, visitas domiciliares e atividades realizadas no território.

O acompanhamento regular também ajuda a revisar medicamentos, monitorar doenças crônicas e reconhecer sinais que exigem avaliação especializada. Alterações persistentes de memória, perda de peso sem explicação, quedas recorrentes, tristeza prolongada e dificuldades para realizar atividades diárias devem ser comunicadas aos profissionais de saúde.

O Ministério da Saúde destaca que o envolvimento do idoso, da família e da equipe de saúde é necessário para que o plano de cuidado seja efetivo. A participação da pessoa idosa nas decisões contribui para preservar sua autonomia e adaptar as orientações à sua realidade.

Atendimento domiciliar integra políticas de cuidado

O atendimento no domicílio é outra estratégia relacionada à saúde dos idosos em Mato Grosso. A modalidade pode beneficiar pessoas com dificuldade de locomoção, limitações funcionais ou necessidade de acompanhamento contínuo, desde que respeitados os critérios e os fluxos definidos pelos serviços de saúde.

Uma lei estadual publicada em 2019 autorizou a criação do Programa Estadual de Assistência Domiciliar Interdisciplinar para Idosos. A norma prevê atendimento clínico no domicílio para pacientes idosos estáveis, com base em uma equipe multiprofissional. O texto menciona profissionais como gerontólogo, geriatra, enfermeiro e assistente social, além de especialistas que podem ser acionados conforme cada caso.

A existência da autorização legal não significa que todos os municípios ofereçam o mesmo serviço ou que o atendimento esteja disponível de forma uniforme em todo o estado. A organização depende da estrutura local, da pactuação entre os entes públicos e dos serviços existentes em cada território.

Para saber quais atendimentos estão disponíveis, a família deve procurar a unidade básica de saúde de referência. A equipe pode orientar sobre acompanhamento, visitas domiciliares, encaminhamentos e formas de acesso à rede municipal do SUS.

Proteção em instituições de longa permanência

As políticas voltadas à população idosa também incluem pessoas que vivem em instituições de longa permanência. Em 2026, a Secretaria de Estado de Assistência Social e Cidadania de Mato Grosso divulgou edital de chamamento público destinado ao apoio e ao fortalecimento dessas instituições no estado.

Segundo a descrição oficial, a iniciativa tem como finalidade contribuir para a melhoria das condições de vida, acolhimento, proteção e atendimento das pessoas idosas institucionalizadas. O edital também relaciona a proposta à qualificação dos serviços e à garantia de dignidade, bem-estar e qualidade de vida.

Instituições de longa permanência atendem pessoas que precisam de moradia e cuidados continuados. Nesses espaços, a atenção à saúde deve ser articulada com a assistência social, respeitar os direitos individuais e preservar, sempre que possível, a participação do idoso nas decisões sobre sua rotina.

A fiscalização, o funcionamento e os requisitos dessas instituições seguem normas específicas. Familiares e responsáveis devem buscar informações nos canais oficiais antes de contratar ou encaminhar um idoso para qualquer serviço, verificando as condições de atendimento e a regularidade da instituição.

Ampliação do acesso a exames e consultas

Outra frente de atendimento em Mato Grosso envolve unidades móveis e ações de acesso a serviços especializados. Em setembro de 2026, o Ministério da Saúde informou que as carretas do programa Agora Tem Especialistas já haviam realizado cerca de 27 mil procedimentos no estado e atendido aproximadamente 9,2 mil pessoas em sete municípios.

As unidades móveis oferecem consultas, exames e cirurgias especializadas. Embora não sejam exclusivas para idosos, essas estruturas podem atender pessoas dessa faixa etária que aguardam avaliações ou procedimentos, especialmente em áreas com dificuldade de acesso a serviços especializados.

O encaminhamento para esse tipo de atendimento depende da organização da rede local e dos critérios definidos pelo programa e pelos municípios. A orientação é procurar a unidade de saúde responsável pelo acompanhamento para verificar a necessidade de encaminhamento e a disponibilidade do serviço.

Desafios para a rede de saúde

O envelhecimento da população aumenta a necessidade de serviços preparados para acompanhar doenças crônicas, limitações funcionais e situações de dependência. Também exige profissionais capacitados, integração entre saúde e assistência social e mecanismos para garantir continuidade do atendimento.

O Ministério da Saúde informa que o Brasil tinha cerca de 36 milhões de pessoas com 60 anos ou mais em 2024, o equivalente a aproximadamente 17% da população. O dado ajuda a dimensionar a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, à autonomia e à proteção contra situações de negligência e violência.

Em Mato Grosso, a oferta de serviços pode variar entre os municípios, de acordo com a estrutura disponível e a organização das redes locais. Por isso, ações estaduais, materiais técnicos e programas federais precisam ser articulados com o trabalho das equipes municipais.

A atenção à saúde dos idosos envolve mais do que consultas e medicamentos. Inclui alimentação adequada, atividade física, vacinação, avaliação da visão e da audição, prevenção de quedas, acompanhamento da saúde mental, convivência social e identificação precoce de situações de risco.

Como buscar atendimento

O primeiro passo para o acompanhamento é procurar a unidade básica de saúde do município onde o idoso mora. O serviço pode orientar sobre consultas, atualização da caderneta, vacinação, acompanhamento de doenças crônicas, visitas domiciliares e encaminhamentos.

Em situações de urgência, a família deve utilizar os serviços de emergência disponíveis. Para demandas sociais, suspeitas de violência, abandono ou negligência, é necessário buscar os canais públicos de proteção e assistência social do município.

A participação da família e dos cuidadores é importante, mas não substitui a autonomia da pessoa idosa. Sempre que possível, o idoso deve ser informado sobre o tratamento, os exames e as decisões relacionadas ao próprio cuidado.

As ações desenvolvidas em Mato Grosso mostram que a política de saúde da pessoa idosa depende de prevenção, acompanhamento próximo e integração entre diferentes áreas. O fortalecimento dessa rede é essencial para que o aumento da longevidade seja acompanhado por mais segurança, independência e qualidade de vida.