A saúde do homem tem sido tema de campanhas, palestras e atendimentos especiais em municípios de Mato Grosso. As iniciativas, concentradas principalmente no Novembro Azul, buscam ampliar a prevenção e estimular os homens a procurar regularmente os serviços de saúde.
Embora o câncer de próstata esteja entre os principais focos das mobilizações, as ações também abordam hipertensão, diabetes, infecções sexualmente transmissíveis, saúde mental, vacinação, saúde bucal, alimentação, atividade física e prevenção de acidentes e violências.
Em Mato Grosso, registros oficiais mostram que a agenda envolve tanto a Secretaria de Estado de Saúde quanto as secretarias municipais. Em novembro de 2024, por exemplo, hospitais regionais e unidades estaduais organizaram atividades voltadas à conscientização, com consultas urológicas, exames para investigação de câncer e palestras destinadas a pacientes regulados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso informou que participaram da programação o Hospital Estadual Santa Casa, em Cuiabá, o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, e os hospitais regionais de Colíder, Sorriso e Alta Floresta.
Campanhas vão além do câncer de próstata
O Novembro Azul é associado principalmente à prevenção e ao diagnóstico precoce do câncer de próstata, mas a orientação do Ministério da Saúde é que o período seja usado para tratar da saúde masculina de forma ampla.
A proposta inclui ações de promoção, proteção e prevenção, levando em consideração fatores sociais e culturais que influenciam a relação dos homens com o cuidado. Entre os temas recomendados estão saúde mental, prevenção de infecções sexualmente transmissíveis, controle de doenças crônicas, redução do consumo de álcool e tabaco, alimentação equilibrada e prática de atividade física.
Também fazem parte da abordagem a prevenção de acidentes e violências, a saúde sexual e reprodutiva, a paternidade e o acompanhamento de homens em diferentes fases da vida. A estratégia procura aproximar os serviços públicos do cotidiano da população masculina, inclusive em locais de trabalho, comunidades rurais e espaços de convivência. (gov.br)
Essa visão está alinhada à Política Nacional de Atenção Integral à Saúde do Homem (PNAISH), criada para ampliar o acesso da população masculina à atenção básica e organizar uma assistência que considere os principais fatores de risco e vulnerabilidades desse grupo.
Ações municipais ampliam atendimento
Durante o Novembro Azul de 2025, municípios mato-grossenses anunciaram atividades com horários ampliados e serviços concentrados em um mesmo local. Em Sorriso, a campanha municipal incluiu orientações sobre prevenção do câncer de próstata e incentivo ao cuidado contínuo com a saúde.
Em Tapurah, uma ação realizada em uma unidade básica de saúde ofereceu atendimento noturno, consulta médica, avaliação bucal, testes rápidos para infecções sexualmente transmissíveis, aferição de pressão arterial e glicemia, além de orientações sobre o câncer de próstata. O município de Nova Marilândia também registrou atividades nas áreas urbana e rural, com consultas, testes rápidos, pedidos de exames laboratoriais, avaliação odontológica, orientação nutricional, atualização do cartão do SUS e da caderneta de vacinação.
As informações foram reunidas pelo Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de Mato Grosso, que divulgou ações realizadas em diferentes cidades durante a campanha de 2025. O levantamento mostra que a estratégia municipal varia de acordo com a estrutura disponível, mas tem como ponto comum a tentativa de facilitar a entrada dos homens na rede pública. (site.sorriso.mt.gov.br)
Em Nova Monte Verde, a programação anunciada para novembro de 2025 previa atendimento em uma unidade de saúde no período da tarde e da noite, com foco na promoção da saúde, no autocuidado e na identificação precoce de doenças que afetam a população masculina. A prefeitura informou que a campanha seria voltada especialmente aos homens a partir dos 40 anos. (novamonteverde.mt.gov.br)
Por que o diagnóstico precoce é destacado
O câncer de próstata é o tumor mais incidente entre os homens brasileiros quando são excluídos os cânceres de pele não melanoma. Na estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio de 2026 a 2028, são esperados 77.920 novos casos da doença por ano no país. O número representa 30,5% dos casos de câncer estimados entre a população masculina, também sem considerar os tumores de pele não melanoma. (gov.br)
O risco aumenta com a idade, especialmente depois dos 60 anos. Histórico familiar de câncer de próstata em pai ou irmão antes dos 60 anos, excesso de gordura corporal e tabagismo também aparecem entre os fatores associados a maior risco ou pior prognóstico, segundo o INCA.
Nas fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas. Por isso, a avaliação deve ser discutida individualmente com um profissional de saúde, que poderá considerar idade, histórico familiar, condições clínicas e preferências do paciente.
Os exames não devem ser realizados de forma automática, sem orientação. A decisão sobre a investigação precisa levar em conta possíveis benefícios, limitações e riscos, como resultados falso-positivos, exames complementares e tratamentos desnecessários. O atendimento na unidade básica de saúde é a porta de entrada para receber informações e, quando indicado, encaminhamento para avaliação especializada. (gov.br)
Barreiras ainda dificultam a busca por atendimento
As campanhas também procuram enfrentar obstáculos que afastam os homens dos serviços de saúde. Entre eles estão a percepção de que procurar atendimento é sinal de fragilidade, o medo de descobrir uma doença, a dificuldade de conciliar consultas com o trabalho e a falta de informação sobre os serviços disponíveis.
O Ministério da Saúde afirma que a PNAISH tem, entre seus objetivos, reorganizar o acolhimento para que os homens reconheçam as unidades de saúde como espaços de cuidado também destinados a eles. A política recomenda fortalecer a atenção básica, ampliar ações preventivas e qualificar os profissionais para atender diferentes perfis da população masculina. (gov.br)
Em Mato Grosso, esse desafio é ampliado pelas distâncias entre municípios, pela presença de comunidades rurais e pela necessidade de garantir acesso a serviços especializados fora dos grandes centros. Por isso, ações descentralizadas, atendimento em horários alternativos e atividades realizadas em locais de trabalho ou áreas rurais podem ajudar a alcançar homens que não costumam frequentar as unidades durante o horário comercial.
Cuidados recomendados ao longo do ano
Apesar de o Novembro Azul concentrar campanhas e divulgação, o cuidado com a saúde masculina não deve ficar restrito a um mês. A recomendação é procurar a unidade básica de referência para avaliação periódica, atualização da vacinação, acompanhamento da pressão arterial, verificação da glicemia e orientação sobre exames indicados para cada faixa etária e condição de saúde.
Também é importante informar ao profissional sobre sintomas urinários, alterações persistentes, dor, perda de peso sem explicação, mudanças no funcionamento intestinal, dificuldades sexuais ou sofrimento emocional. Sintomas não significam necessariamente câncer, mas devem ser avaliados.
A prevenção inclui ainda abandonar o cigarro, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, manter alimentação variada, praticar atividade física regularmente, controlar o peso e utilizar equipamentos de proteção no trabalho. A saúde sexual e reprodutiva, o planejamento familiar e a prevenção das infecções sexualmente transmissíveis também integram o atendimento.
Em caso de sofrimento psíquico, tristeza persistente, ansiedade intensa ou pensamentos de autolesão, a orientação é buscar atendimento profissional o quanto antes. As unidades do SUS podem orientar sobre os serviços disponíveis na rede de cada município.
Campanha como porta de entrada para o SUS
As ações promovidas em Mato Grosso mostram que as campanhas podem funcionar como uma porta de entrada para homens que não procuram atendimento regularmente. Ao reunir consultas, exames, orientações, vacinação e avaliações em um mesmo período, os municípios aumentam as oportunidades de identificar fatores de risco e encaminhar pacientes.
O desafio, porém, é transformar a mobilização sazonal em acompanhamento contínuo. A prevenção do câncer e o controle de doenças crônicas dependem de consultas regulares, adesão ao tratamento e vínculo com as equipes de saúde.
Para o usuário, o primeiro passo é procurar a unidade básica de saúde do município e informar que deseja fazer uma avaliação geral. A equipe poderá orientar sobre os serviços disponíveis, os exames necessários e os encaminhamentos previstos na rede local. A programação e os critérios de atendimento podem variar entre as cidades, por isso é importante confirmar as informações diretamente com a secretaria municipal de saúde.
As campanhas de saúde do homem em Mato Grosso reforçam, assim, uma mensagem que vai além do Novembro Azul: o cuidado preventivo deve fazer parte da rotina, com atenção ao corpo, à saúde mental, à vida sexual, aos hábitos cotidianos e ao acompanhamento médico ao longo de todas as fases da vida.
Fontes: Ministério da Saúde; Instituto Nacional de Câncer; Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso; Cosems-MT.








