sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Mato Grosso reforça cuidados contra doenças sazonais em meio a calor, fumaça e risco de arboviroses

Mato Grosso deve manter atenção redobrada às doenças sazonais associadas ao calor, à baixa umidade, à fumaça de queimadas, às chuvas e à proliferação de mosquitos. Entre os principais cuidados estão a eliminação de criadouros do Aedes aegypti, a hidratação, a proteção contra a fumaça e a busca por atendimento diante de sintomas persistentes ou graves.

Mato Grosso deve manter atenção reforçada às doenças sazonais associadas às condições climáticas do Centro-Oeste. Períodos de calor intenso, baixa umidade do ar, fumaça de queimadas, chuvas irregulares e possível aumento de criadouros de mosquitos podem elevar os riscos à saúde, especialmente para crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao ambiente externo.

Entre os principais problemas relacionados ao período estão as arboviroses, como dengue, chikungunya e zika, além de doenças respiratórias agravadas pela fumaça, desidratação, insolação e enfermidades transmitidas por água ou alimentos contaminados. O Ministério da Saúde orienta que estados e municípios intensifiquem a vigilância diante da possibilidade de aumento da circulação de arboviroses no ciclo 2026-2027, associado aos efeitos do fenômeno El Niño. (gov.br)

Calor e baixa umidade exigem cuidados redobrados

As altas temperaturas podem provocar perda excessiva de líquidos, queda de pressão, mal-estar, exaustão pelo calor e insolação. O risco é maior quando a pessoa permanece por muito tempo sob o sol, pratica atividade física intensa ou trabalha em locais quentes e sem ventilação adequada.

A recomendação é beber água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede, reduzir a exposição direta ao sol nos horários mais quentes e utilizar roupas leves, claras e confortáveis. Também é importante evitar atividades físicas intensas durante os períodos de maior calor e procurar ambientes ventilados sempre que possível.

Crianças pequenas, idosos e pessoas com doenças cardiovasculares, respiratórias ou renais podem apresentar maior vulnerabilidade aos efeitos do calor. Nessas situações, familiares e cuidadores devem observar sinais como fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, confusão mental, pele muito quente e redução da quantidade de urina.

O Ministério da Saúde relaciona ondas de calor a casos de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares. A pasta também destaca que eventos climáticos extremos podem ampliar riscos à saúde e pressionar os serviços públicos. (gov.br)

Prevenção contra dengue começa dentro de casa

A eliminação de água parada continua sendo uma das principais medidas para reduzir a presença do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da chikungunya e do zika vírus. Recipientes, vasos de plantas, calhas, caixas-d’água, pneus, garrafas e outros objetos expostos à chuva devem ser vistoriados regularmente.

Caixas-d’água precisam permanecer tampadas, pratos de vasos devem ser limpos e, quando possível, eliminados, e materiais que possam acumular água devem ser guardados em locais cobertos. A limpeza de quintais também deve incluir a retirada de folhas, lixo e recipientes descartados.

A prevenção não depende apenas de ações individuais. O controle do mosquito exige a participação de moradores, condomínios, empresas, escolas, unidades de saúde e administrações municipais. A identificação de focos deve ser comunicada aos canais oficiais disponíveis no município, para que as equipes de vigilância possam avaliar a situação.

O alerta nacional sobre arboviroses recomenda o fortalecimento da vigilância, o bloqueio de transmissão a partir dos primeiros casos identificados e a reorganização do trabalho dos agentes de combate às endemias. A população também é orientada a eliminar criadouros e buscar atendimento diante do aparecimento de sintomas. (gov.br)

Febre e dores no corpo exigem observação

Febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares e nas articulações, manchas na pele, náusea e cansaço podem ocorrer em diferentes infecções. Por isso, os sintomas não devem ser usados para confirmar a doença por conta própria.

Em caso de suspeita de dengue ou outra arbovirose, a orientação é procurar uma unidade de saúde para avaliação. A pessoa deve informar quando os sintomas começaram, se esteve em áreas com circulação de mosquitos e se possui alguma doença crônica ou usa medicamentos de forma contínua.

Sangramentos, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, dificuldade para respirar, sonolência excessiva, desmaio, confusão mental ou piora repentina exigem atendimento imediato. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com condições de saúde preexistentes devem receber atenção especial.

O uso de medicamentos por conta própria pode dificultar a avaliação clínica e oferecer riscos, principalmente em doenças que podem causar sangramentos ou alterações no fígado e nos rins. O tratamento deve seguir a orientação de um profissional de saúde.

Fumaça de queimadas pode agravar doenças respiratórias

Durante períodos de queimadas, a fumaça libera partículas que irritam as vias respiratórias e podem agravar quadros de asma, bronquite, doença pulmonar obstrutiva crônica e outras condições. Pessoas sem diagnóstico prévio também podem apresentar tosse, ardor nos olhos, irritação na garganta, falta de ar e dor no peito.

O Ministério da Saúde informa que a exposição prolongada a altas concentrações de partículas finas pode agravar doenças respiratórias e cardiovasculares e aumentar a procura por atendimento e hospitalizações. (gov.br)

Quando a qualidade do ar estiver comprometida, é recomendável reduzir o tempo de permanência ao ar livre, evitar exercícios físicos em áreas com fumaça e manter portas e janelas fechadas nos momentos de maior concentração de poluentes. Ambientes internos devem ser mantidos limpos, e a ingestão de água ajuda a reduzir o ressecamento das mucosas.

Máscaras adequadas podem oferecer proteção adicional em determinadas situações, mas não substituem o afastamento da fumaça. Pessoas com doenças respiratórias devem seguir o tratamento prescrito e manter os medicamentos de uso contínuo disponíveis.

A procura por atendimento é indicada quando houver falta de ar, chiado no peito, dor torácica, tontura, confusão, piora de doença respiratória preexistente ou sintomas persistentes após a exposição.

Chuvas aumentam riscos de água contaminada e criadouros

A alternância entre estiagem e chuvas intensas pode criar condições para a formação de criadouros de mosquitos e, em áreas sujeitas a alagamentos, elevar o risco de doenças transmitidas pela água e por alimentos contaminados.

Após enchentes ou contato com lama, a população deve evitar o consumo de alimentos que tenham tido contato com a água da inundação. Também é necessário utilizar somente água indicada pelas autoridades e redobrar os cuidados com a higienização, o preparo e o armazenamento dos alimentos.

A leptospirose é uma das doenças associadas ao contato com água ou lama contaminada pela urina de roedores. Ferimentos devem ser protegidos, e a pessoa que apresentar febre, dor de cabeça, dores musculares ou mal-estar após esse tipo de exposição deve informar o contato ao profissional de saúde.

O Ministério da Saúde também alerta para riscos de diarreias, hepatite A, verminoses e outras doenças em situações de emergência. A água para consumo deve ser filtrada e fervida quando não houver garantia de potabilidade, sempre conforme as orientações das autoridades locais. (gov.br)

Cuidados devem incluir vacinação e higiene

A vacinação é uma das principais formas de prevenção contra doenças infecciosas e deve ser mantida conforme o calendário oficial. A caderneta precisa ser conferida, principalmente antes de viagens, durante a preparação para períodos de maior circulação de vírus respiratórios ou após situações de emergência.

Lavar as mãos com frequência, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, não compartilhar objetos de uso pessoal e evitar contato próximo quando houver sintomas respiratórios são medidas que reduzem a transmissão de infecções.

Em ambientes fechados, a ventilação ajuda a diminuir a concentração de partículas e microrganismos. Escolas, locais de trabalho e espaços de atendimento ao público devem manter rotinas de limpeza e observar sinais de aumento de casos entre frequentadores.

Quando procurar atendimento

A busca por uma unidade de saúde é recomendada diante de febre persistente, falta de ar, dor no peito, desidratação, vômitos repetidos, sangramentos, confusão mental, desmaio ou piora rápida do estado geral.

Em situações de menor gravidade, a pessoa deve procurar a atenção primária do município para avaliação e orientação. O atendimento precoce contribui para identificar doenças transmissíveis, iniciar o tratamento adequado e reduzir o risco de complicações.

O cenário climático pode mudar rapidamente, e os alertas oficiais devem orientar as medidas adotadas pela população. Em Mato Grosso, a prevenção depende da combinação entre cuidados individuais, eliminação de criadouros, proteção contra o calor e a fumaça, vacinação e comunicação imediata de sintomas ou situações de risco às autoridades de saúde.