sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Mato Grosso reforça ações de saúde voltadas à atenção integral das crianças

Mato Grosso reúne ações de saúde voltadas às crianças em diferentes etapas do atendimento, da vacinação e do cuidado neonatal à saúde bucal, à atenção psicossocial e ao acompanhamento do desenvolvimento. As iniciativas envolvem a Secretaria de Estado de Saúde, municípios e outros órgãos públicos.

Mato Grosso mantém uma série de ações de saúde voltadas à proteção, à prevenção de doenças e ao atendimento integral de crianças em diferentes fases do desenvolvimento. As iniciativas incluem vacinação, acompanhamento do crescimento, qualificação da assistência ao recém-nascido, atendimento pediátrico, saúde bucal e atenção psicossocial.

As medidas são executadas pela Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) em articulação com os municípios, o Ministério da Saúde, unidades hospitalares, escolas e outras áreas da administração pública. O objetivo é ampliar o cuidado desde a gestação e o nascimento até os primeiros anos de vida, período considerado decisivo para o desenvolvimento infantil.

Entre as ações em andamento estão a capacitação de equipes da rede pública, a organização da linha de cuidado materno-infantil, a busca ativa de crianças elegíveis para imunizantes e a oferta de serviços especializados. A estratégia também envolve ações educativas e de prevenção realizadas em escolas e unidades de atenção primária.

Qualificação do atendimento a recém-nascidos

Uma das frentes de atuação está concentrada na assistência materno-infantil e no atendimento aos recém-nascidos. Documento da Secretaria de Estado de Saúde registra a continuidade, em 2025, da Estratégia QualiNeo, iniciativa conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o Instituto Fernandes Figueira, da Fundação Oswaldo Cruz.

A estratégia prevê capacitações periódicas para profissionais de saúde, com foco no aprimoramento do atendimento neonatal, na humanização do parto e no estímulo ao aleitamento materno exclusivo. A qualificação busca fortalecer os cuidados prestados nos primeiros dias de vida, fase em que os bebês podem apresentar maior vulnerabilidade.

O mesmo documento informa que o Estado deu continuidade à capacitação operacional da Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância, conhecida pela sigla AIDPI. A metodologia é utilizada para orientar a identificação e o atendimento de doenças frequentes na infância, com prioridade para regiões que concentram maior número de óbitos infantis.

Também avançaram as discussões para estruturar uma Linha de Cuidado Materno-Infantil em Mato Grosso. A proposta é organizar a assistência desde o pré-natal até os primeiros anos da criança, integrando os diferentes pontos da rede pública e estabelecendo uma sequência de cuidados mais contínua e segura.

Indicadores reforçam a importância da atenção nos primeiros anos

Os dados estaduais mostram que a atenção ao período neonatal continua sendo um dos principais desafios da saúde infantil. Até 27 de janeiro de 2026, foram registrados 57.264 nascidos vivos e 798 óbitos de crianças menores de 1 ano em Mato Grosso, segundo indicador apresentado pela Secretaria de Estado de Saúde.

Do total de óbitos infantis registrados, 514 ocorreram no período neonatal, que compreende os primeiros 27 dias de vida. O número representa aproximadamente 64% dos registros informados no documento e evidencia a concentração das mortes nos primeiros dias após o nascimento.

A secretaria ressalva que os dados são preliminares e dependem do registro e da consolidação das declarações de nascidos vivos e de óbitos nos sistemas oficiais. Ainda assim, os indicadores ajudam a orientar políticas públicas relacionadas ao pré-natal, à assistência ao parto, ao atendimento neonatal e ao acompanhamento das crianças após a alta hospitalar.

Para 2025, a meta estadual indicada para a taxa de mortalidade infantil foi de 12,3 óbitos por mil nascidos vivos. A Secretaria de Estado de Saúde também informou ações relacionadas ao custeio da média e alta complexidade no âmbito da Rede Alyne, voltada ao fortalecimento da atenção materno-infantil.

Vacinação e busca ativa de crianças

A imunização é outra frente de atenção às crianças no Estado. Em 2025, a SES-MT informou a distribuição de 500 mil doses de vacinas aos 142 municípios de Mato Grosso durante a Campanha Nacional de Multivacinação, realizada entre 6 e 31 de outubro.

A iniciativa teve como foco ampliar a atualização da caderneta de vacinação de crianças e adolescentes de até 15 anos. As doses previstas no Calendário Nacional de Vacinação foram disponibilizadas aos municípios para a realização de ações de rotina e de mobilização da população.

Em 2026, o Estado também publicou regras para ampliar o acesso de crianças elegíveis ao nirsevimabe, imunizante utilizado na prevenção de formas graves de infecções causadas pelo vírus sincicial respiratório em grupos definidos pelas autoridades de saúde.

O fluxo estadual prevê a identificação de crianças prematuras e de outras que atendam aos critérios estabelecidos, além da busca ativa pelas equipes da Atenção Primária à Saúde. O contato com as famílias pode ocorrer por meio de visitas domiciliares, comunicação telefônica e articulação entre os serviços públicos.

A estratégia inclui crianças com histórico de prematuridade, comorbidades ou acompanhamento anterior em serviços de referência. A execução é responsabilidade dos municípios, que devem conferir as informações, organizar o atendimento e registrar as ações realizadas.

Atendimento pediátrico e ambiente humanizado

Na assistência hospitalar, Mato Grosso também adotou medidas para tornar o atendimento mais adequado ao público infantil. O Hospital Central do Estado passou a contar com uma ala pediátrica planejada para oferecer um ambiente mais acolhedor às crianças internadas.

A proposta inclui adaptar o espaço às necessidades dos pacientes pediátricos e reduzir o impacto da hospitalização sobre a rotina infantil. A unidade foi apresentada pela Secretaria de Estado de Saúde como parte de uma política de humanização do atendimento, com a intenção de tornar diferentes áreas do hospital mais amigáveis às crianças.

Outra referência na rede estadual é o Pronto Atendimento Infantil do Hospital Estadual Santa Casa. Entre janeiro e setembro de 2024, o serviço registrou 32.006 atendimentos, número superior ao observado no mesmo período do ano anterior, conforme balanço divulgado pela SES-MT.

O volume de atendimentos demonstra a importância de manter estruturas preparadas para receber crianças com quadros clínicos de diferentes níveis de gravidade. A porta de entrada adequada permite encaminhar os casos conforme a necessidade, separando situações que podem ser resolvidas no pronto atendimento daquelas que exigem avaliação especializada ou internação.

Saúde bucal também faz parte da prevenção

As ações voltadas à infância incluem ainda a prevenção de problemas odontológicos. O programa Mais MT Sorrindo desenvolve atividades educativas e assistenciais preventivas com alunos da rede pública, em parceria com secretarias municipais de Saúde e Educação, a Secretaria de Estado de Educação e os Escritórios Regionais de Saúde.

O projeto atende estudantes de diferentes comunidades, especialmente na faixa de 5 a 12 anos. Entre as atividades previstas estão orientações sobre higiene bucal, prevenção de cáries e incentivo à adoção de hábitos saudáveis desde os primeiros anos escolares.

A atuação no ambiente escolar permite alcançar crianças que nem sempre procuram espontaneamente os serviços de saúde. Também facilita a participação de professores e familiares no acompanhamento dos cuidados, reforçando a importância da escovação, da alimentação equilibrada e das consultas odontológicas.

Atenção psicossocial para crianças e adolescentes

A saúde mental infantil e juvenil também integra as ações desenvolvidas em Mato Grosso. Em 2025, a SES participou de atividades relacionadas ao Setembro Amarelo em parceria com Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil, familiares, profissionais de saúde e instituições públicas.

A programação envolveu serviços especializados de Várzea Grande e Cuiabá, além de órgãos das áreas de educação, assistência social, Justiça, Ministério Público, Defensoria Pública e defesa dos direitos da criança e do adolescente.

A articulação entre setores é necessária porque situações de sofrimento psíquico, violência, abandono, uso de substâncias e dificuldades de convivência podem exigir mais do que atendimento clínico. O acompanhamento pode depender de ações conjuntas entre a família, a escola, a unidade de saúde e a rede de proteção social.

O atendimento nos Centros de Atenção Psicossocial Infantojuvenil é destinado a crianças e adolescentes que precisam de acompanhamento especializado. A procura deve ocorrer conforme a organização da rede municipal e os fluxos definidos localmente.

Acompanhamento do crescimento e desenvolvimento

Na Atenção Primária à Saúde, o acompanhamento regular permite observar peso, altura, desenvolvimento, alimentação, vacinação e possíveis sinais de atraso ou adoecimento. A proposta de estruturação do programa Cuidados para o Desenvolvimento da Criança busca qualificar as equipes responsáveis por esse acompanhamento.

Também está em discussão o credenciamento de uma unidade de apoio estadual para organizar a execução do programa em Mato Grosso. O Centro de Reabilitação Integral Dom Aquino Corrêa foi indicado como serviço de referência para esse processo, conforme documento estadual.

O acompanhamento contínuo ajuda a identificar precocemente dificuldades de desenvolvimento, problemas nutricionais, alterações de visão e audição e outras condições que podem afetar a aprendizagem e a qualidade de vida. Quando necessário, a criança pode ser encaminhada para serviços especializados.

As ações de saúde infantil, portanto, não se limitam ao atendimento de doenças. Elas envolvem prevenção, vacinação, alimentação, desenvolvimento, saúde bucal, saúde mental, cuidado hospitalar e orientação às famílias.

Integração entre Estado, municípios e famílias

A execução das políticas depende da participação dos municípios, que organizam a maior parte dos serviços de atenção primária e realizam a busca ativa das crianças. O Estado atua na coordenação, no apoio técnico, na distribuição de insumos, na organização da rede especializada e na oferta de atendimento hospitalar de referência.

Para as famílias, a principal orientação é manter o acompanhamento da criança na unidade de saúde de referência, atualizar a caderneta de vacinação e procurar atendimento diante de sinais de alerta. Consultas de puericultura, avaliação odontológica e acompanhamento do desenvolvimento fazem parte do cuidado preventivo.

As informações oficiais sobre campanhas, critérios de vacinação e serviços disponíveis devem ser consultadas nas secretarias municipais de Saúde e nos canais da Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. Os procedimentos podem variar conforme o município e o tipo de atendimento.

Ao reunir ações de prevenção, assistência e vigilância, Mato Grosso busca fortalecer uma rede de cuidado capaz de acompanhar a criança desde o nascimento e responder às necessidades específicas de cada fase da infância. O desafio permanece em garantir que os serviços cheguem de forma regular às diferentes regiões do Estado e que o atendimento seja mantido com qualidade e continuidade.