Os cuidados com a saúde durante ondas de calor em Mato Grosso devem ser reforçados principalmente nos períodos em que as temperaturas permanecem elevadas por vários dias. O calor extremo pode provocar desidratação, insolação, queda de pressão, cansaço, problemas respiratórios e agravamento de doenças crônicas.
Em setembro de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) monitora uma onda de calor com possibilidade de temperaturas acima de 40°C em áreas do Centro-Oeste. O aviso inclui partes de Mato Grosso, como a região central e o sul do Estado, além de Cuiabá. O instituto considera, para caracterizar uma onda de calor, a persistência de temperaturas máximas pelo menos 5°C acima da média histórica durante cinco dias consecutivos em determinada localidade. Informações atualizadas podem ser consultadas no portal do Inmet.
Por que o calor extremo oferece risco à saúde
Em condições normais, o corpo elimina calor por meio da transpiração e de outros mecanismos de regulação da temperatura. Quando o ambiente permanece muito quente, especialmente com baixa umidade do ar, esse processo pode ficar comprometido.
A perda excessiva de água e sais minerais pode levar à desidratação. Em situações mais graves, a temperatura corporal sobe de forma perigosa e pode ocorrer o chamado golpe de calor, uma emergência médica associada a confusão mental, convulsões, desmaio e perda de consciência.
As altas temperaturas também podem sobrecarregar o coração e o sistema circulatório. Pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais, diabetes, hipertensão ou outros problemas crônicos precisam acompanhar com atenção qualquer mudança no estado de saúde e seguir as orientações dos profissionais que acompanham o tratamento.
Quem precisa de atenção redobrada
Embora o calor intenso possa afetar qualquer pessoa, alguns grupos são mais vulneráveis. Entre eles estão crianças pequenas, idosos, gestantes, pessoas com deficiência, indivíduos com doenças crônicas e pessoas em situação de rua.
Também devem ser observados trabalhadores que atuam ao ar livre, agricultores, entregadores, profissionais da construção civil, atletas e pessoas que realizam atividades físicas em horários de maior exposição solar.
Crianças e idosos podem não perceber ou comunicar adequadamente a sede e o mal-estar. Por isso, familiares, cuidadores e responsáveis devem oferecer líquidos com frequência, observar o comportamento e verificar se essas pessoas permanecem em locais frescos e ventilados.
Hidratação deve ser constante
A principal recomendação durante uma onda de calor é beber água regularmente, mesmo quando não houver sensação de sede. A hidratação não deve ser deixada para o momento em que aparecem tontura, fraqueza ou boca seca, pois esses sinais já podem indicar perda de líquidos.
A quantidade necessária varia conforme idade, atividade física, alimentação, temperatura e condições de saúde. Pessoas com restrição de líquidos por orientação médica, como alguns pacientes com doenças cardíacas ou renais, não devem alterar o consumo sem falar com um profissional de saúde.
Água deve ser a bebida preferencial. O consumo de bebidas alcoólicas pode favorecer a desidratação, enquanto bebidas com excesso de açúcar não substituem a hidratação adequada. A cafeína também deve ser consumida com moderação durante períodos de calor intenso.
Em casos de vômitos ou diarreia, a perda de líquidos pode ser ainda maior. Nessa situação, é importante buscar orientação em uma unidade de saúde, principalmente quando o paciente for criança, idoso ou tiver alguma doença preexistente.
Como reduzir a exposição ao calor
As atividades ao ar livre devem ser planejadas para os horários mais frescos do dia. Sempre que possível, é recomendável evitar exercícios, trabalho pesado e exposição prolongada ao sol entre o fim da manhã e o meio da tarde.
Quando a saída for necessária, a pessoa deve procurar sombra, usar roupas leves, largas e de cores claras, além de proteger a cabeça com boné ou chapéu. Óculos escuros com proteção contra radiação ultravioleta e protetor solar também ajudam a reduzir os danos da exposição solar.
O Ministério da Saúde recomenda que a população busque ambientes frescos e ventilados durante as horas mais quentes. Em casa, cortinas, persianas ou outras formas de bloquear a entrada direta do sol podem ajudar a diminuir o aquecimento dos cômodos.
Janelas podem ser abertas no início da manhã e à noite para favorecer a circulação do ar. Durante o período mais quente, porém, é melhor mantê-las fechadas quando o ar externo estiver mais quente do que o ambiente interno.
Cuidados com a baixa umidade do ar
Em Mato Grosso, períodos de calor intenso podem coincidir com estiagem, queimadas e redução da umidade relativa do ar. Essa combinação pode irritar os olhos, ressecar a pele e piorar sintomas respiratórios, sobretudo em pessoas com asma, bronquite, rinite ou outras doenças pulmonares.
Manter os ambientes limpos, evitar poeira e reduzir a exposição à fumaça são medidas importantes. Quando houver fumaça de queimadas, a população deve acompanhar os alertas das autoridades e evitar atividades físicas ao ar livre, especialmente nos horários de pior qualidade do ar.
A hidratação da pele e o uso de umidificação adequada podem aliviar o ressecamento. No entanto, aparelhos e recipientes usados para umidificar o ambiente precisam ser higienizados corretamente para evitar a proliferação de fungos e microrganismos.
Alimentação e rotina durante a onda de calor
Refeições leves e frescas, com frutas, verduras e legumes, podem ser mais confortáveis durante os dias quentes. Alimentos que exigem refrigeração devem ser armazenados corretamente, pois o calor acelera a deterioração e aumenta o risco de doenças transmitidas por alimentos.
O descanso também deve fazer parte da rotina. O sono pode ser prejudicado quando os cômodos ficam muito quentes, por isso é importante manter o quarto ventilado, usar roupas leves e evitar atividades intensas antes de dormir.
Pessoas que fazem uso contínuo de medicamentos devem manter o tratamento conforme a prescrição. Não é recomendado suspender, alterar doses ou substituir remédios por conta própria. Em caso de dúvida sobre os efeitos do calor ou da hidratação no tratamento, a orientação deve ser solicitada ao médico ou farmacêutico.
Sinais de alerta exigem atendimento
Transpiração excessiva, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras musculares e diarreia podem indicar que o organismo está sofrendo com o calor e a perda de líquidos. A pessoa deve ser levada para um local fresco, descansar e receber líquidos se estiver consciente e puder beber.
Confusão mental, desmaio, convulsão, falta de ar, pele muito quente, piora rápida do estado geral ou perda de consciência são sinais de gravidade. Nessas situações, é necessário buscar atendimento médico de emergência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo telefone 192.
Enquanto o socorro não chega, a recomendação do Ministério da Saúde é levar a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol, retirar o excesso de roupas e aplicar água fresca ou compressas em áreas como testa, pescoço, axilas e virilhas. Não se deve oferecer líquidos a uma pessoa inconsciente ou com dificuldade para engolir.
Prevenção depende de atenção coletiva
Durante uma onda de calor, a proteção não deve ficar restrita aos cuidados individuais. Famílias, vizinhos, escolas, empresas e serviços públicos podem ajudar a identificar pessoas que vivem sozinhas, idosos que precisam de acompanhamento e trabalhadores expostos ao sol.
Empregadores devem organizar pausas, oferecer acesso à água e avaliar a necessidade de alterar horários de atividades externas. Escolas e responsáveis também precisam observar sinais de cansaço, tontura e mal-estar em crianças e adolescentes durante aulas, recreios e práticas esportivas.
Em caso de alerta meteorológico, a população deve acompanhar informações de fontes oficiais, como o Inmet e a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso. A combinação entre hidratação, redução da exposição ao sol, ambientes frescos e atenção aos sinais de alerta ajuda a diminuir os riscos do calor extremo para a população mato-grossense.








