Os cuidados de saúde em Mato Grosso exigem atenção a fatores como calor intenso, períodos de estiagem, fumaça de queimadas, circulação de mosquitos e contato com animais em áreas urbanas, rurais e de mata. Medidas simples, adotadas de forma contínua, ajudam a reduzir o risco de doenças e acidentes.
Entre as principais recomendações estão manter a vacinação atualizada, eliminar recipientes com água parada, reforçar a hidratação, reduzir a exposição à fumaça, usar proteção em atividades ao ar livre e procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou sinais de gravidade.
Combate à dengue deve ser mantido durante todo o ano
Dengue, chikungunya e zika são arboviroses transmitidas principalmente pela fêmea do mosquito Aedes aegypti. O inseto costuma viver dentro ou nas proximidades das residências e encontra condições favoráveis para se reproduzir quando há água acumulada e temperaturas elevadas. A Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso orienta que o controle dos criadouros seja feito de forma permanente.
O morador deve manter caixas-d’água fechadas, limpar calhas, retirar água de pratos de vasos de plantas, guardar pneus e recipientes em locais protegidos da chuva e descartar corretamente o lixo. Também é importante trocar diariamente a água dos animais domésticos e observar ralos, garrafas, lonas, brinquedos e outros objetos que possam acumular líquido.
O uso de repelente e de roupas que cubram braços e pernas pode complementar a prevenção, especialmente em locais com presença de mosquitos. A proteção, porém, não substitui a eliminação dos criadouros.
Febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, dores musculares, manchas na pele, náusea e dor nas articulações podem aparecer em diferentes arboviroses. Dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, sonolência, irritabilidade, dificuldade para respirar ou piora repentina exigem atendimento imediato. Pessoas com suspeita de dengue não devem se automedicar, principalmente com medicamentos que aumentem o risco de sangramento.
Calor exige hidratação e atenção aos grupos vulneráveis
O calor intenso pode provocar desidratação, queda de pressão, agravamento de doenças cardíacas e respiratórias e quadros de insolação. Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas, trabalhadores expostos ao sol e moradores em situação de rua estão entre os grupos que precisam de atenção redobrada.
A orientação do Ministério da Saúde é beber água regularmente, mesmo sem sentir sede, usar roupas leves e claras e evitar atividades físicas ou trabalho pesado nos horários mais quentes. Sempre que possível, as tarefas ao ar livre devem ser planejadas para o início da manhã ou o fim da tarde.
Ambientes ventilados e frescos ajudam a reduzir o risco. Bebidas alcoólicas e o excesso de cafeína devem ser evitados durante períodos de calor, pois podem contribuir para a perda de líquidos. Pessoas que usam diuréticos ou fazem tratamento contínuo não devem alterar a medicação por conta própria; qualquer ajuste precisa ser discutido com um profissional de saúde.
Confusão mental, desmaio, pele muito quente, fraqueza intensa, convulsões e temperatura corporal elevada são sinais de alerta. A insolação é uma emergência e requer atendimento médico imediato.
Fumaça de queimadas pode agravar problemas respiratórios
Durante períodos de queimadas, a fumaça pode concentrar partículas e gases irritantes que atingem as vias respiratórias. Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, doença pulmonar ou problemas cardiovasculares tendem a ser mais vulneráveis.
Quando a qualidade do ar estiver comprometida, a recomendação é reduzir o tempo ao ar livre, evitar exercícios e esforços intensos e manter portas e janelas fechadas, sempre que isso for possível e seguro. A hidratação ajuda a manter as vias respiratórias úmidas. Se for necessário sair, máscaras do tipo PFF2 ou N95, bem ajustadas ao rosto, podem reduzir a inalação de partículas, conforme orientação do Ministério da Saúde.
Tosse persistente, falta de ar, chiado no peito, dor torácica, irritação intensa nos olhos ou piora de uma doença respiratória devem ser avaliados em uma unidade de saúde. Pessoas que já fazem tratamento para asma ou outras doenças pulmonares devem seguir o plano indicado pela equipe médica.
Vacinação continua sendo uma das principais formas de prevenção
Manter a caderneta atualizada reduz o risco de doenças graves e ajuda a proteger a comunidade. O Calendário Nacional de Vacinação de 2026 reúne as recomendações para crianças, adolescentes, adultos, idosos e gestantes.
Entre as vacinas previstas estão as de hepatite B, difteria e tétano, tríplice viral, influenza, covid-19, poliomielite e febre amarela, conforme a idade, o histórico vacinal e as condições de saúde de cada pessoa. A ausência da caderneta não impede a busca por orientação em uma unidade de saúde; o serviço pode verificar os registros disponíveis e indicar as doses necessárias.
A vacina contra a febre amarela merece atenção de moradores e viajantes que frequentam áreas com circulação viral confirmada. A indicação deve seguir as regras do calendário nacional e a avaliação do serviço de saúde, especialmente para crianças pequenas, gestantes, idosos e pessoas com condições clínicas específicas.
Malária e leishmaniose exigem atenção em áreas de mata e zona rural
Mato Grosso integra a região amazônica considerada área endêmica para malária no Brasil. Isso não significa que todos os municípios tenham o mesmo risco, mas a possibilidade deve ser considerada por quem vive, trabalha ou viaja para áreas de mata, garimpo, comunidades rurais e outras regiões com presença de mosquitos transmissores. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 99% dos casos autóctones brasileiros ocorrem na região amazônica.
Febre, calafrios, dor de cabeça, cansaço e mal-estar após uma permanência em área de risco devem ser informados ao profissional de saúde, com relato dos locais visitados e das datas da viagem. O diagnóstico e o tratamento precoces são importantes para evitar complicações.
A proteção inclui o uso de repelentes, roupas compridas, telas, mosquiteiros e redução da exposição nos horários de maior atividade dos mosquitos. Em locais de risco, a orientação de uma equipe de saúde pode ser necessária antes da viagem.
A leishmaniose tegumentar também pode ocorrer em áreas com presença do mosquito-palha. A doença costuma provocar feridas na pele ou nas mucosas que não cicatrizam normalmente. O Ministério da Saúde recomenda repelente, roupas que protejam o corpo e cuidados com a limpeza de quintais e terrenos. Qualquer lesão persistente deve ser examinada por um profissional, pois o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde.
Prevenção contra picadas de cobras, escorpiões e aranhas
Em áreas de vegetação, terrenos baldios, depósitos, galpões e locais com entulho, é importante usar calçados fechados e luvas adequadas, evitar colocar as mãos em buracos ou frestas e sacudir roupas, toalhas, lençóis e sapatos antes de utilizá-los. A limpeza de quintais e o armazenamento correto de materiais também reduzem a presença de animais peçonhentos.
Em caso de picada, a vítima deve ser encaminhada o mais rápido possível a um serviço de saúde. Se não houver atraso no atendimento, o local pode ser lavado com água e sabão, e anéis, pulseiras, calçados ou outros objetos apertados devem ser retirados. O animal não deve ser capturado. Uma fotografia, feita a distância e sem colocar outras pessoas em risco, pode ajudar na identificação.
Não se deve fazer torniquete, cortar, queimar, espremer ou sugar o local da picada, nem aplicar pó de café, álcool, terra, folhas ou outras substâncias. As orientações estão disponíveis no guia do Ministério da Saúde sobre animais peçonhentos.
Cuidados com água, alimentos e animais
Em períodos de chuva intensa, alagamento ou interrupção no abastecimento, a água para beber e cozinhar deve ser utilizada somente quando houver segurança sobre sua qualidade. Alimentos que tiveram contato com água de enchente devem ser descartados. Também é necessário lavar as mãos antes das refeições, após usar o banheiro e depois de cuidar de animais.
Mordidas, arranhões ou lambeduras de cães, gatos, morcegos e outros mamíferos exigem avaliação rápida. A ferida deve ser lavada abundantemente com água e sabão, e a pessoa deve procurar um serviço de saúde para verificar a necessidade de vacina ou soro contra a raiva. A recomendação oficial está descrita na página do Ministério da Saúde sobre raiva.
Quando procurar atendimento
O acompanhamento na unidade básica de saúde é indicado para atualizar vacinas, controlar doenças crônicas, avaliar sintomas persistentes e receber orientações antes de viagens ou atividades em áreas de risco. Já situações como falta de ar, desmaio, sangramento, alteração de consciência, convulsão, dor intensa, febre persistente, sinais de desidratação ou suspeita de envenenamento exigem atendimento de urgência.
Em Mato Grosso, a prevenção depende da combinação entre cuidados individuais, limpeza dos ambientes e procura rápida pelo serviço de saúde. A população deve acompanhar os alertas das autoridades locais e evitar tratamentos caseiros ou automedicação, especialmente diante de febre, picadas e sintomas respiratórios.








