Os cuidados com a saúde durante a seca em Mato Grosso precisam ser reforçados por causa da combinação de baixa umidade do ar, temperaturas elevadas, poeira e aumento do risco de queimadas. O cenário pode causar irritação nos olhos, nariz e garganta, piorar doenças respiratórias e favorecer quadros de desidratação, principalmente entre crianças, idosos, gestantes e pessoas com problemas crônicos.
De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, tosse seca e persistente, ardência no nariz e na garganta, coriza, irritação nos olhos e dor de cabeça estão entre os sintomas comuns durante a estiagem. Pessoas com rinite, sinusite, bronquite, asma ou outras doenças respiratórias podem apresentar piora dos sintomas. (saude.mt.gov.br)
Por que o período de seca exige atenção
A estiagem é marcada pela redução ou ausência de chuvas por determinado período. Com menos umidade no ar, as mucosas das vias respiratórias e dos olhos tendem a ressecar. A poeira permanece mais tempo suspensa e a fumaça produzida por queimadas pode ampliar a concentração de poluentes no ambiente.
O Ministério da Saúde aponta que a seca pode estar associada a problemas respiratórios, desidratação, irritações nos olhos e na pele, além de impactos sobre a saúde cardiovascular, renal e mental. A redução da disponibilidade de água também pode comprometer a higiene e aumentar o risco de doenças relacionadas ao consumo de água contaminada. (miniapps.saude.gov.br)
Em Mato Grosso, o período de estiagem também costuma ser acompanhado por maior ocorrência de focos de calor. A fumaça dos incêndios florestais e das queimadas contém poluentes que podem ser inalados e atingir principalmente as vias respiratórias, segundo a SES-MT. (saude.mt.gov.br)
Hidratação deve ser mantida ao longo do dia
A recomendação mais importante é beber água regularmente, sem esperar o aparecimento da sede. Em dias muito quentes e secos, a perda de líquidos pelo suor pode aumentar, especialmente durante atividades físicas ou trabalhos ao ar livre.
É importante levar uma garrafa de água para a escola, o trabalho ou os deslocamentos. A ingestão deve ser adaptada às condições de saúde de cada pessoa. Quem possui restrição de líquidos por orientação médica, como alguns pacientes com doenças cardíacas ou renais, deve seguir a recomendação do profissional responsável.
Crianças pequenas e idosos podem ter maior dificuldade para perceber ou comunicar a sede. Familiares e cuidadores devem oferecer líquidos com frequência e observar sinais como boca seca, fraqueza, tontura, sonolência incomum, redução da urina e alteração do estado de alerta.
Além da água, uma alimentação leve, com frutas, verduras e legumes, pode contribuir para a hidratação. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas em situações de calor intenso, pois podem favorecer a perda de líquidos e prejudicar a percepção dos sinais de desidratação.
Proteção contra o calor e a radiação solar
O calor associado à baixa umidade pode aumentar o risco de mal-estar, exaustão térmica e desidratação. Para reduzir a exposição, a orientação da Secretaria de Estado de Saúde é evitar exercícios físicos e atividades prolongadas ao ar livre entre 10h e 16h, período de maior incidência solar. (saude.mt.gov.br)
Quando a atividade externa for necessária, é recomendável buscar locais com sombra, fazer pausas frequentes e usar roupas leves, chapéu, boné ou outro acessório que proteja a cabeça. O uso de protetor solar também é indicado para reduzir o risco de queimaduras e danos provocados pela radiação ultravioleta.
Trabalhadores que atuam em áreas abertas devem receber água, intervalos e condições adequadas para reduzir a exposição ao calor. Ao sentir tontura, fraqueza, náusea, dor de cabeça, confusão ou mal-estar intenso, a pessoa deve interromper a atividade, procurar um local fresco e buscar atendimento se os sintomas persistirem ou forem intensos.
Como reduzir os efeitos da baixa umidade
A baixa umidade pode provocar ressecamento e irritação nos olhos, no nariz, na garganta e na pele. Algumas medidas simples ajudam a aliviar o desconforto:
- manter a ingestão de água ao longo do dia;
- evitar a exposição prolongada ao sol e ao ar muito seco;
- usar hidratante na pele e nos lábios, quando necessário;
- manter os ambientes limpos, reduzindo o acúmulo de poeira;
- utilizar soro fisiológico nos olhos ou no nariz somente de acordo com a orientação da embalagem ou de um profissional de saúde;
- umidificar o ambiente com cuidado, mantendo aparelhos limpos e evitando excesso de umidade.
Recipientes com água, toalhas úmidas ou umidificadores podem ser usados para aumentar a umidade em ambientes internos, mas é necessário evitar a formação de mofo e a proliferação de microrganismos. A orientação da SES-MT também inclui a permanência, sempre que possível, em locais protegidos do sol, arejados e com conforto térmico adequado. (saude.mt.gov.br)
Fumaça de queimadas exige cuidado adicional
A fumaça é um dos principais riscos do período de seca em Mato Grosso. Mesmo quando o incêndio ocorre distante, o material particulado pode ser levado pelo vento e permanecer no ar. A exposição pode provocar tosse, irritação na garganta, falta de ar, chiado no peito, dor de cabeça e ardência nos olhos.
Durante episódios de fumaça intensa, a população deve evitar atividades físicas ao ar livre e reduzir o tempo de permanência em áreas afetadas. Também é importante manter portas e janelas fechadas quando a qualidade do ar estiver prejudicada, desde que isso não provoque calor excessivo no ambiente. Pessoas com ar-condicionado devem manter os filtros limpos.
A SES-MT recomenda evitar fogueiras, não jogar pontas de cigarro próximo a áreas de vegetação e não transitar nas proximidades de incêndios florestais. Essas medidas contribuem tanto para reduzir a exposição individual quanto para prevenir novos focos de fogo. (saude.mt.gov.br)
Crianças, idosos, gestantes e pessoas com asma, bronquite, enfisema, doença pulmonar obstrutiva crônica ou problemas cardíacos devem receber atenção especial. Quem utiliza medicamentos de uso contínuo deve manter o tratamento conforme prescrição e não interromper ou alterar doses por conta própria.
Cuidados para pessoas com doenças respiratórias
O tempo seco pode agravar sintomas de rinite, sinusite e asma. Tosse persistente, chiado, aperto no peito, dificuldade para respirar e cansaço fora do habitual são sinais que precisam ser observados.
Pacientes com doenças respiratórias devem manter consultas e tratamentos em dia, além de seguir o plano de cuidados indicado pela equipe de saúde. A limpeza da casa deve ser feita, preferencialmente, com pano úmido, para evitar que a poeira se espalhe. Vassouras e produtos com cheiro forte podem aumentar a irritação em algumas pessoas.
O atendimento médico deve ser procurado quando houver falta de ar, piora rápida dos sintomas, dor no peito, lábios arroxeados, confusão mental, desmaio ou dificuldade para falar por causa da respiração. Em situações graves, a orientação é procurar imediatamente um serviço de urgência.
Olhos, pele e sangramento nasal
O ressecamento também pode causar ardência, vermelhidão e sensação de areia nos olhos. Evitar coçar a região e reduzir a exposição à poeira e à fumaça ajuda a diminuir o desconforto. Se a irritação for persistente, houver dor intensa, alteração da visão ou secreção, é necessário buscar avaliação profissional.
A pele e os lábios podem ficar mais secos e sensíveis. O uso de hidratantes pode ajudar, especialmente após o banho, enquanto o protetor solar deve ser aplicado nas áreas expostas ao sol.
O sangramento nasal também pode ocorrer durante períodos de baixa umidade. Em caso de sangramento, a pessoa deve sentar-se, inclinar levemente a cabeça para a frente e pressionar a parte macia do nariz por alguns minutos. Se o sangramento não cessar, for intenso ou acontecer repetidamente, é importante procurar um serviço de saúde.
Água segura e higiene
A seca pode reduzir a disponibilidade de água e dificultar a manutenção de hábitos de higiene. Mesmo em períodos de escassez, é importante priorizar a água destinada ao consumo, ao preparo de alimentos e à higiene das mãos.
Quando houver dúvida sobre a qualidade da água, a população deve seguir as orientações das autoridades locais de saúde e utilizar métodos de tratamento recomendados oficialmente. O consumo de água de origem desconhecida pode aumentar o risco de diarreias e outras doenças relacionadas à contaminação.
Também é necessário armazenar a água em recipientes limpos, fechados e protegidos de animais, poeira e produtos químicos. Garrafas e caixas-d’água devem ser higienizadas conforme as orientações dos serviços de saúde e saneamento.
Quando procurar atendimento
Nem todo desconforto provocado pelo tempo seco exige atendimento de emergência, mas alguns sinais indicam a necessidade de avaliação médica. Entre eles estão dificuldade para respirar, dor no peito, confusão mental, desmaio, convulsão, febre persistente, sinais importantes de desidratação e piora de doenças crônicas.
Em quadros leves, a pessoa pode procurar uma Unidade Básica de Saúde para receber orientação, avaliação clínica e acompanhamento. A busca por atendimento deve ser antecipada para crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias, cardíacas ou renais.
O período de seca em Mato Grosso exige atenção contínua às condições do tempo e à qualidade do ar. Acompanhar os avisos oficiais, reduzir a exposição ao calor e à fumaça, manter a hidratação e reconhecer os sinais de alerta são medidas fundamentais para proteger a saúde durante a estiagem.
Fontes: Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, Ministério da Saúde e Biblioteca Virtual em Saúde.








