sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a alimentação ganham destaque em Mato Grosso

Cuidados com a alimentação ganharam espaço nas políticas de promoção da saúde em Mato Grosso. Orientações oficiais reforçam a importância de priorizar alimentos in natura, reduzir ultraprocessados e ampliar o apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável.

Os cuidados com a alimentação ganharam espaço nas ações de promoção da saúde em Mato Grosso. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) lançou, em fevereiro de 2025, uma cartilha voltada à promoção, à proteção e ao apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável. O material reúne orientações para gestores, profissionais do Sistema Único de Saúde (SUS), instituições, associações e comunidades.

A iniciativa amplia o debate sobre a relação entre alimentação, qualidade de vida e prevenção de doenças. Em vez de concentrar a orientação apenas em nutrientes ou dietas restritivas, as recomendações oficiais consideram os alimentos, a forma de preparo, a cultura alimentar, as condições econômicas e os hábitos de cada família.

O objetivo é estimular escolhas mais adequadas no cotidiano e fortalecer ações de educação alimentar e nutricional em diferentes espaços, como unidades de saúde, escolas, creches, serviços de assistência social e comunidades.

Cartilha orienta ações em diferentes territórios

De acordo com a SES-MT, a cartilha lançada em 10 de fevereiro de 2025 foi elaborada para apoiar a implementação de estratégias de promoção, proteção e apoio à amamentação e à alimentação complementar saudável no estado.

O documento é direcionado a gestores e trabalhadores da saúde, mas também pode servir de referência para instituições privadas, associações, conselhos e integrantes da sociedade civil. A proposta é adaptar as orientações às características de cada território, levando em conta a realidade das famílias e a organização dos serviços públicos.

A alimentação é influenciada por fatores que vão além da decisão individual. Renda, disponibilidade de alimentos, tempo para cozinhar, acesso a feiras e mercados, publicidade e conhecimentos culinários interferem diretamente na rotina. Por isso, as políticas públicas de alimentação precisam combinar informação, atendimento e medidas que facilitem o acesso a escolhas mais saudáveis.

Alimentos in natura devem formar a base da dieta

O Guia Alimentar para a População Brasileira, documento oficial do Ministério da Saúde, recomenda que a alimentação tenha como base alimentos in natura ou minimamente processados. Entram nesse grupo frutas, verduras, legumes, feijão, arroz, raízes, ovos, carnes, leite e outros itens que passam por poucas alterações antes do consumo.

O guia também orienta que os alimentos sejam preparados com variedade e equilíbrio. A recomendação não significa eliminar completamente todos os produtos industrializados, mas reduzir a presença de alimentos ultraprocessados na rotina. Refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos, macarrões instantâneos, embutidos e produtos com excesso de açúcar, gordura e sódio devem ser consumidos com menor frequência.

Outra orientação é observar a forma de comer. Fazer as refeições com atenção, em horários mais regulares e, sempre que possível, na companhia de outras pessoas pode contribuir para uma relação mais equilibrada com a comida. O ambiente das refeições também influencia a quantidade consumida e a percepção de saciedade.

O documento do Ministério da Saúde destaca ainda a importância de preservar a cultura alimentar brasileira. Preparações tradicionais, alimentos regionais e receitas feitas em casa podem integrar uma rotina saudável quando combinados de forma variada e adequados às necessidades de cada pessoa.

Amamentação é parte do cuidado alimentar

O cuidado com a alimentação começa nos primeiros meses de vida. A amamentação é considerada uma das estratégias de promoção da saúde apoiadas pelas políticas públicas. Segundo as orientações adotadas pelo Ministério da Saúde, o aleitamento materno deve ser exclusivo até os seis meses de idade, sempre que possível, e continuar com a introdução de outros alimentos após esse período.

A cartilha da SES-MT reforça que o apoio não deve ser responsabilidade apenas da pessoa que amamenta. Famílias, profissionais de saúde, empregadores, escolas, creches, serviços públicos e a comunidade também têm papel na criação de condições favoráveis à amamentação.

Esse apoio pode envolver acolhimento durante o pré-natal, orientação no pós-parto, acompanhamento nas unidades básicas de saúde e incentivo à criação de ambientes que respeitem as necessidades de mães e bebês. Informações corretas são importantes para evitar a substituição precoce do leite materno por fórmulas, bebidas açucaradas ou outros alimentos inadequados.

A amamentação também deve ser tratada sem culpabilização. Cada família pode enfrentar dificuldades diferentes, como dor, insegurança, retorno ao trabalho, falta de apoio ou condições clínicas específicas. Nesses casos, o acompanhamento de profissionais capacitados ajuda a identificar as necessidades e orientar a conduta mais adequada.

Introdução alimentar exige atenção e acompanhamento

A partir dos seis meses, a alimentação complementar passa a fazer parte da rotina da criança, sem que isso signifique interromper automaticamente a amamentação. A introdução deve ocorrer de maneira gradual, com oferta de alimentos variados, preparações adequadas à idade e acompanhamento do desenvolvimento infantil.

Frutas, legumes, verduras, cereais, feijões, carnes e ovos podem ser incluídos conforme a orientação dos profissionais de saúde. A textura e o tamanho dos alimentos precisam ser compatíveis com a fase de desenvolvimento da criança, sempre com supervisão durante as refeições.

O açúcar, os refrigerantes, os sucos artificiais, os biscoitos e outros produtos ultraprocessados não são recomendados para compor a alimentação de crianças pequenas. A exposição precoce a esses produtos pode prejudicar a formação do paladar e favorecer hábitos alimentares de baixa qualidade.

Também é importante evitar práticas que transformem a refeição em momento de pressão. A criança deve ser estimulada a experimentar diferentes alimentos, mas o processo precisa respeitar os sinais de fome e saciedade. A família pode oferecer opções variadas e manter uma rotina, sem obrigar a criança a comer além do que consegue.

Prevenção de doenças depende de hábitos contínuos

Uma alimentação adequada contribui para a prevenção e o controle de problemas de saúde relacionados ao consumo excessivo de sal, açúcar e gorduras, além de ajudar no cuidado de pessoas com hipertensão, diabetes, excesso de peso e outras condições crônicas.

A Política Nacional de Alimentação e Nutrição estabelece ações de promoção, vigilância, prevenção e cuidado integral no campo da alimentação e da nutrição. As diretrizes incluem o acompanhamento do estado nutricional da população e a organização da atenção nos serviços do SUS, com destaque para a atenção básica.

Na prática, o cuidado pode começar com mudanças simples: aumentar a presença de frutas e hortaliças nas refeições, manter o feijão e outros alimentos tradicionais, diminuir o uso de sal, escolher água em vez de bebidas açucaradas e reduzir a compra de produtos ultraprocessados.

Essas mudanças não precisam ocorrer todas de uma vez. O mais importante é construir hábitos possíveis de manter ao longo do tempo. Dietas muito restritivas ou promessas de resultados rápidos podem não ser adequadas para todas as pessoas e não substituem uma avaliação individualizada.

Segurança dos alimentos também faz parte da rotina

Além da qualidade nutricional, a segurança dos alimentos precisa ser observada. Higienizar as mãos antes do preparo e das refeições, manter utensílios limpos, separar alimentos crus dos já preparados e conservar os produtos na temperatura adequada são cuidados importantes para reduzir o risco de contaminações.

Frutas, verduras e legumes devem ser higienizados de acordo com as orientações sanitárias. Alimentos perecíveis precisam ser armazenados corretamente e não devem permanecer por longos períodos em temperatura ambiente, especialmente em locais de clima quente.

Também é necessário verificar a validade, a integridade das embalagens e as condições de armazenamento nos estabelecimentos comerciais. Produtos com embalagem estufada, violada, enferrujada ou com sinais de alteração devem ser evitados.

Em caso de sintomas como vômitos, diarreia, dor abdominal ou febre após o consumo de determinado alimento, a recomendação é procurar atendimento de saúde, principalmente quando a ocorrência envolve crianças, idosos, gestantes ou pessoas com doenças crônicas.

Informação precisa considerar a realidade das famílias

As orientações sobre alimentação saudável precisam ser aplicáveis à vida real. O preço dos alimentos, a distância até os pontos de venda, a disponibilidade de água potável, a estrutura da cozinha e o tempo disponível para preparar as refeições podem limitar as escolhas.

Por esse motivo, educação alimentar não deve ser reduzida a listas de alimentos permitidos ou proibidos. O trabalho de orientação deve considerar a cultura local, os hábitos familiares e as possibilidades econômicas de cada grupo.

No caso de Mato Grosso, ações organizadas por municípios e serviços de saúde podem contribuir para aproximar as recomendações da população. Grupos de acompanhamento, atividades em escolas, orientação durante o pré-natal e atendimento nas unidades básicas são estratégias que ajudam a transformar informação em prática.

A educação alimentar e nutricional é definida pelo governo federal como um campo contínuo, intersetorial e multiprofissional. A proposta é estimular hábitos autônomos e saudáveis sem desconsiderar as condições sociais, culturais e econômicas que influenciam a alimentação.

Onde buscar orientação

Pessoas que desejam melhorar a alimentação ou precisam de orientações específicas podem procurar a unidade básica de saúde de referência. Médicos, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais podem avaliar cada caso, orientar mudanças possíveis e encaminhar o paciente quando necessário.

Gestantes, crianças, idosos, pessoas com diabetes, hipertensão, doença renal, alergias ou outras necessidades alimentares especiais devem evitar mudanças radicais sem acompanhamento profissional. A mesma recomendação vale para quem utiliza medicamentos ou pretende adotar suplementos.

O cuidado com a alimentação não depende de uma única refeição nem de uma solução imediata. Ele envolve escolhas diárias, acesso a alimentos adequados, apoio da família, informação de qualidade e políticas públicas capazes de reduzir as barreiras enfrentadas pela população.

Em Mato Grosso, a ampliação das ações de promoção da alimentação saudável coloca o tema no centro das estratégias de prevenção e cuidado. A orientação oficial é que saúde, alimentação, cultura e condições de vida sejam tratados de forma integrada, com foco em hábitos possíveis, proteção às diferentes fases da vida e acompanhamento pelos serviços do SUS.