O calor intenso em Mato Grosso exige atenção redobrada da população, especialmente em períodos de temperaturas elevadas e baixa umidade do ar. A combinação pode aumentar o risco de desidratação, queda de pressão, cansaço, agravamento de doenças crônicas e ocorrências mais graves, como a insolação e o golpe de calor.
Em aviso divulgado em setembro de 2026, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que áreas de Mato Grosso poderiam registrar temperaturas acima de 40 °C durante uma onda de calor válida entre sábado, 26 de setembro, e quarta-feira, 30 de setembro. Para Cuiabá, a previsão indicava máxima de até 41 °C nos dias 27 e 28 de setembro. A situação reforça a importância de acompanhar os alertas meteorológicos e adaptar a rotina nos dias mais quentes. (portal.inmet.gov.br)
Por que o calor intenso oferece riscos à saúde
O corpo humano precisa manter a temperatura interna dentro de uma faixa relativamente estável. Em ambientes muito quentes, ele tenta liberar calor por meio da transpiração e do aumento da circulação sanguínea na pele. Quando a exposição é prolongada, a ventilação é insuficiente ou há esforço físico excessivo, esses mecanismos podem não ser suficientes.
A perda de água e sais minerais pelo suor pode causar desidratação. Em situações mais graves, a temperatura corporal sobe rapidamente e o organismo deixa de conseguir se resfriar. O Ministério da Saúde classifica o golpe de calor como uma emergência médica, que pode provocar confusão mental, convulsões, perda de consciência, danos a órgãos e morte quando não há atendimento imediato. (gov.br)
O risco não depende apenas da exposição direta ao sol. Segundo o guia do Ministério da Saúde para profissionais de saúde, o golpe de calor também pode ocorrer em locais muito quentes e com pouca ventilação, mesmo sem contato direto com a radiação solar. (gov.br)
Beba água ao longo do dia
A principal medida de prevenção é manter a hidratação de forma regular. Não é recomendável esperar a sede aparecer, principalmente no caso de crianças, idosos e pessoas que têm dificuldade para perceber a necessidade de beber líquidos.
Deixe uma garrafa de água por perto e faça pequenas ingestões ao longo do dia. Em atividades ao ar livre, leve água suficiente para o período previsto e aumente a atenção quando houver suor intenso. Água, água de coco e sucos naturais podem contribuir para a reposição de líquidos, mas não substituem a avaliação médica quando há sinais de desidratação ou de doença relacionada ao calor.
Bebidas alcoólicas devem ser evitadas durante os períodos de calor intenso. O álcool pode favorecer a perda de líquidos e prejudicar a percepção dos sinais do próprio corpo. Bebidas com cafeína também exigem moderação, conforme orientação do Ministério da Saúde. (gov.br)
Pessoas com doenças renais, cardíacas ou outras condições que exigem controle da ingestão de líquidos devem seguir a recomendação do médico. O aumento da hidratação não deve ser feito de maneira indiscriminada por quem possui restrições clínicas.
Reduza a exposição ao sol e reorganize a rotina
Nos dias mais quentes, atividades externas devem ser programadas preferencialmente para o início da manhã ou o fim da tarde. Exercícios, trabalhos físicos e deslocamentos sob o sol do meio do dia aumentam a produção de calor pelo organismo e podem acelerar a desidratação.
Quando não for possível evitar a exposição, procure permanecer na sombra, faça pausas frequentes e use roupas leves, folgadas e de cores claras. Chapéu, boné, óculos de sol e protetor solar ajudam a reduzir os efeitos da radiação solar, mas não eliminam o risco de superaquecimento do corpo.
O Ministério da Saúde recomenda evitar a permanência prolongada sob o sol nos horários mais quentes, além de orientar o uso de roupas adequadas, protetor solar e consumo regular de líquidos. (gov.br)
Cuidados para quem trabalha ou pratica atividade física ao ar livre
Trabalhadores rurais, profissionais da construção civil, entregadores, vendedores ambulantes e outras pessoas que atuam em áreas abertas estão mais expostos ao calor. Nesses casos, o planejamento da jornada é importante para reduzir o risco de adoecimento.
Sempre que possível, faça pausas em locais frescos e protegidos do sol. Beba água antes de sentir sede, use roupas que permitam a transpiração e evite esforços prolongados nos horários de maior temperatura. A intensidade do trabalho deve ser reduzida quando surgirem fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea ou cãibras.
Quem pratica exercícios deve interromper a atividade ao perceber mal-estar. Continuar o esforço físico apesar dos sintomas pode transformar um quadro inicial de exaustão pelo calor em uma emergência médica.
Mantenha os ambientes mais frescos
Dentro de casa, mantenha cortinas ou persianas fechadas nos períodos de maior incidência solar. Ventiladores, aparelhos de ar-condicionado e sistemas evaporativos podem ajudar a reduzir o desconforto, desde que usados com segurança e manutenção adequada.
Também é importante favorecer a circulação de ar nos horários em que a temperatura externa estiver mais baixa. Durante o período mais quente, deixar janelas abertas pode não ser a melhor opção se o ar de fora estiver mais quente do que o ambiente interno.
Banhos com água fresca, roupas leves e redução do uso de equipamentos que aquecem o ambiente também podem ajudar. Nunca deixe crianças, idosos ou animais dentro de veículos estacionados, mesmo por poucos minutos. A temperatura interna do carro pode subir rapidamente.
Crianças, idosos e gestantes precisam de atenção especial
Crianças pequenas, idosos e gestantes estão entre os grupos mais vulneráveis aos efeitos do calor. Pessoas com doenças cardíacas, respiratórias, renais, diabetes, hipertensão e outras condições crônicas também podem apresentar maior risco de complicações.
Ofereça líquidos com frequência, observe mudanças de comportamento e mantenha essas pessoas em ambientes arejados. Crianças podem não identificar ou comunicar adequadamente a sede. Idosos, por sua vez, podem ter uma percepção reduzida da necessidade de beber água.
Também é importante que pessoas que usam medicamentos de forma contínua conversem com o profissional de saúde responsável caso enfrentem sintomas durante um período de calor intenso. Diuréticos, remédios para pressão arterial, antidepressivos, antipsicóticos e outras medicações podem influenciar a resposta do organismo ao calor. Não interrompa nem altere o tratamento por conta própria. (gov.br)
Alimentação e cuidados com a baixa umidade
Em dias quentes, prefira refeições leves, com frutas, verduras e preparações de fácil digestão. Alimentos muito pesados podem aumentar o desconforto, especialmente quando consumidos nos horários de maior temperatura.
A baixa umidade do ar pode ressecar as mucosas e irritar olhos, nariz e garganta. Manter a hidratação e evitar ambientes com fumaça ou poeira ajuda a reduzir o desconforto. Em períodos de estiagem, a população também deve acompanhar orientações dos órgãos públicos sobre queimadas e qualidade do ar.
O uso de soro fisiológico no nariz pode ser considerado para aliviar o ressecamento, mas pessoas com sintomas persistentes, falta de ar ou piora de doenças respiratórias devem procurar atendimento de saúde.
Quais são os sinais de alerta
Os primeiros sinais de que o corpo está sofrendo com o calor podem incluir sede intensa, suor excessivo, fraqueza, tontura, dor de cabeça, náusea, cãibras, irritabilidade e sensação de desmaio. Esses sintomas indicam a necessidade de interromper a atividade, ir para um local fresco e iniciar a reposição de líquidos, se a pessoa estiver consciente e puder beber.
O quadro exige avaliação em uma unidade de saúde quando os sintomas não melhoram rapidamente, quando há vômitos persistentes, diarreia, desmaio, palpitações, dificuldade para respirar ou agravamento de uma doença preexistente. O Ministério da Saúde orienta procurar assistência diante de sinais de exaustão pelo calor. (gov.br)
Confusão mental, comportamento alterado, convulsões, perda de consciência, pele muito quente, temperatura corporal elevada e dificuldade para respirar são sinais de gravidade. Nessa situação, é necessário solicitar atendimento de emergência pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no número 192.
O que fazer diante de uma suspeita de golpe de calor
Enquanto aguarda o atendimento, leve a pessoa para um local fresco, ventilado e protegido do sol. Retire o excesso de roupas e ajude a resfriar o corpo com água fresca, compressas frias ou panos úmidos aplicados em regiões como testa, pescoço, axilas e virilhas.
Se a pessoa estiver consciente e conseguir engolir, pode receber água ou outro líquido não alcoólico. Não ofereça líquidos a alguém desacordado, confuso ou com dificuldade para engolir, pois há risco de engasgo. Também não deixe a pessoa sozinha.
O objetivo inicial é reduzir a temperatura corporal até a chegada do atendimento profissional. A insolação é uma condição potencialmente fatal e não deve ser tratada apenas como um mal-estar passageiro. (gov.br)
Acompanhe os alertas oficiais
As condições podem mudar rapidamente entre as diferentes regiões de Mato Grosso. Por isso, a população deve acompanhar as previsões e os alertas do Inmet, da Defesa Civil e das secretarias de saúde. Os avisos ajudam a identificar períodos de temperaturas extremas, baixa umidade e riscos associados ao tempo seco.
Também é importante diferenciar um dia isolado de temperatura elevada de uma onda de calor. Para o Inmet, a caracterização de uma onda de calor considera a persistência de temperaturas significativamente acima da média histórica local por vários dias consecutivos, e não apenas o registro de uma máxima superior a 40 °C. (portal.inmet.gov.br)
Com planejamento, hidratação regular, redução da exposição ao sol e atenção aos sinais do organismo, é possível diminuir os riscos durante os períodos de calor intenso em Mato Grosso. Em caso de sintomas graves ou dúvida sobre a condição de uma pessoa, a orientação é buscar atendimento médico sem demora.








