Prevenir problemas respiratórios em Mato Grosso exige atenção especial durante os períodos de baixa umidade do ar, calor intenso, poeira e fumaça de queimadas. Essas condições podem ressecar as mucosas do nariz e da garganta, irritar os olhos e aumentar o desconforto de pessoas com asma, bronquite, rinite, doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias.
O período seco também favorece a suspensão de partículas no ar. Quando há queimadas próximas, a fumaça acrescenta poluentes como material particulado fino, monóxido de carbono e outros gases que podem atingir as vias respiratórias. Segundo o Ministério da Saúde, a exposição pode agravar doenças pulmonares e provocar tosse, irritação, falta de ar e chiado no peito.
Por que o clima de Mato Grosso exige cuidados
Mato Grosso apresenta períodos de estiagem em que a umidade relativa do ar pode cair, especialmente durante a estação seca. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) acompanha episódios de baixa umidade e calor em diferentes áreas do estado, condições que podem contribuir para o ressecamento das vias respiratórias e para o aumento da concentração de poeira e poluentes.
Em dias secos, o organismo precisa trabalhar mais para manter úmidas as mucosas que protegem o sistema respiratório. O desconforto pode aparecer como garganta arranhando, nariz irritado, tosse seca, ardência nos olhos, dor de cabeça e sensação de cansaço.
A fumaça de queimadas agrava esse cenário. As partículas menores, como o material particulado fino conhecido como MP2,5, conseguem penetrar profundamente no sistema respiratório. Pessoas que vivem ou trabalham perto de áreas atingidas pela fumaça podem apresentar piora de sintomas mesmo quando o incêndio está distante, porque os poluentes podem ser transportados pelo vento.
Quem precisa redobrar a atenção
Crianças pequenas, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares fazem parte dos grupos mais vulneráveis. Pacientes com asma, bronquite, rinite, enfisema e DPOC podem ter crises desencadeadas ou agravadas pela combinação de ar seco, poeira e fumaça.
Também devem ter cuidado ampliado as pessoas com baixa imunidade e aquelas que trabalham ao ar livre, como agricultores, profissionais da construção civil, entregadores, agentes de limpeza e trabalhadores envolvidos no combate a incêndios.
Nesses grupos, é importante manter os medicamentos de uso contínuo conforme a prescrição e não interromper o tratamento por conta própria. Em caso de crises frequentes ou piora dos sintomas, a avaliação médica é necessária para ajustar a conduta.
Hidratação ajuda a proteger as vias respiratórias
Beber água regularmente é uma das principais medidas para enfrentar o clima seco. A hidratação auxilia o funcionamento do organismo e ajuda a reduzir o ressecamento das mucosas. A quantidade ideal varia de acordo com a idade, o peso, as condições de saúde e a orientação de um profissional.
Além da água, a alimentação equilibrada contribui para a manutenção da saúde. Bebidas alcoólicas devem ser evitadas em excesso, porque podem favorecer a desidratação. Pessoas com restrições médicas para ingestão de líquidos, como alguns pacientes com doenças cardíacas ou renais, devem seguir as recomendações da equipe de saúde.
O uso de soro fisiológico nas narinas pode aliviar o ressecamento em algumas situações. O produto deve ser usado conforme a orientação da embalagem ou de um profissional. Descongestionantes nasais não devem ser utilizados por períodos prolongados sem orientação médica.
Reduza a exposição à fumaça e à poeira
Quando houver fumaça de queimadas ou alerta de piora na qualidade do ar, a recomendação é reduzir o tempo de permanência ao ar livre. Atividades físicas intensas devem ser evitadas nesses momentos, porque aumentam a quantidade de ar inalado e, consequentemente, a exposição aos poluentes.
O Ministério da Saúde orienta que a população acompanhe os alertas oficiais, priorize ambientes internos protegidos e mantenha portas e janelas fechadas nos períodos de maior concentração de fumaça. Quando possível, o ambiente deve permanecer fresco e bem protegido da entrada de poluentes.
Em deslocamentos inevitáveis, máscaras do tipo PFF2, N95 ou P100, quando corretamente ajustadas ao rosto, podem reduzir a inalação de partículas. Esses equipamentos, porém, não eliminam todos os riscos e não filtram gases presentes na fumaça. A prioridade continua sendo evitar a exposição.
Dentro do carro, manter as janelas fechadas e utilizar o sistema de ventilação interna pode ajudar a diminuir a entrada de fumaça. O filtro do veículo deve ser verificado e substituído conforme as orientações do fabricante.
Cuide do ambiente dentro de casa
A limpeza dos cômodos deve ser feita preferencialmente com pano úmido, para evitar que poeira acumulada volte a circular no ar. Vassouras e espanadores podem levantar partículas e piorar os sintomas de pessoas alérgicas ou com doenças respiratórias.
Quartos, salas e locais de trabalho precisam ser mantidos livres de mofo, poeira, pelos de animais e produtos com cheiro forte. Fumaça de cigarro, incensos, sprays, solventes, tintas e produtos de limpeza também podem irritar as vias respiratórias.
Umidificadores podem ser usados com cautela, principalmente em ambientes muito secos. O aparelho precisa ser higienizado corretamente para evitar a proliferação de fungos e bactérias. O excesso de umidade, por outro lado, pode favorecer mofo e ácaros. Recipientes com água ou toalhas molhadas não substituem a necessidade de ventilação e limpeza adequada do ambiente.
Evite exercícios ao ar livre nos horários críticos
Corridas, caminhadas, partidas de futebol e outros exercícios aumentam a ventilação pulmonar. Por isso, durante períodos de baixa umidade ou fumaça, a prática pode intensificar a inalação de partículas e causar tosse, falta de ar e chiado.
A recomendação é verificar as condições do tempo e da qualidade do ar antes de sair. Se houver fumaça visível, odor forte ou alerta oficial, a atividade deve ser adiada ou transferida para um local fechado, ventilado e sem poluentes.
Crianças e idosos precisam de atenção especial. Escolas, famílias e responsáveis devem evitar atividades externas quando a qualidade do ar estiver comprometida, principalmente em episódios prolongados de fumaça.
Vacinação e prevenção de infecções
Nem todo problema respiratório é causado diretamente pelo clima. Vírus e bactérias também podem circular com maior intensidade quando as pessoas permanecem em ambientes fechados e pouco ventilados. Por isso, manter a vacinação em dia é uma medida importante de proteção.
A população deve consultar as campanhas e os calendários oficiais de vacinação para verificar as doses indicadas para cada faixa etária e condição de saúde. A higiene frequente das mãos, a ventilação dos ambientes e o afastamento de pessoas com sintomas também ajudam a reduzir a transmissão de infecções respiratórias.
Quem apresentar sintomas deve evitar compartilhar objetos de uso pessoal e, sempre que possível, reduzir o contato próximo com pessoas vulneráveis. Em locais fechados e com aglomeração, a máscara pode ser considerada conforme a situação epidemiológica, a orientação das autoridades e as condições individuais de saúde.
Quando procurar atendimento médico
Sintomas leves, como irritação nos olhos, coriza, tosse seca e desconforto na garganta, podem ocorrer após a exposição ao ar seco ou à fumaça. Mesmo assim, é importante observar a evolução do quadro, especialmente em crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas.
Falta de ar intensa, chiado persistente, dor ou dificuldade para respirar, tosse com secreção, febre alta, dor no peito, confusão mental, sonolência excessiva ou desmaio são sinais de alerta. Nesses casos, é necessário procurar atendimento de urgência.
De acordo com orientações divulgadas pelo Ministério da Saúde, sintomas leves podem ser avaliados na Unidade Básica de Saúde. Situações graves devem ser encaminhadas a uma Unidade de Pronto Atendimento ou a um serviço hospitalar de urgência e emergência.
Pessoas que já têm asma, DPOC, bronquite ou outra doença respiratória não devem esperar uma piora importante para buscar ajuda. O atendimento rápido pode evitar complicações e permitir o início ou o ajuste adequado do tratamento.
Informação ajuda a reduzir os riscos
A prevenção depende também do acompanhamento das condições meteorológicas e dos alertas de qualidade do ar. Antes de sair, moradores de Mato Grosso podem consultar os boletins do Inmet e as informações divulgadas pelos órgãos oficiais de saúde e defesa civil.
Em períodos de fumaça, é recomendável manter medicamentos prescritos acessíveis, organizar uma rotina para reduzir a exposição e orientar crianças e idosos sobre os cuidados. No caso de pessoas que vivem perto de áreas de queimadas, também é importante seguir as instruções das autoridades locais sobre deslocamento e segurança.
O clima seco não pode ser evitado, mas seus efeitos podem ser reduzidos. Hidratação, limpeza adequada dos ambientes, vacinação, controle das doenças crônicas e afastamento de fumaça, poeira e poluentes formam um conjunto de medidas para proteger a saúde respiratória em Mato Grosso.








