As campanhas de vacinação movimentaram Mato Grosso ao longo de 2026 com ações voltadas à prevenção da influenza, à atualização da caderneta de crianças e adolescentes e à ampliação da proteção contra doenças pneumocócicas. O Estado recebeu mais de 3,4 milhões de doses de vacinas neste ano, segundo o Ministério da Saúde.
As mobilizações envolveram o Governo Federal, a Secretaria de Estado de Saúde e as prefeituras dos 142 municípios mato-grossenses. Além das campanhas temporárias, a vacinação de rotina permanece disponível nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS) durante todo o ano.
Vacinação contra a gripe priorizou grupos mais vulneráveis
A campanha contra a influenza começou em Mato Grosso no fim de março, com o objetivo de ampliar a proteção antes do período de maior circulação dos vírus respiratórios. No primeiro Dia D, realizado em 28 de março, foram aplicadas 4 mil doses no Estado, de acordo com o Ministério da Saúde.
A estratégia seguiu até 30 de maio e priorizou crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes e idosos. Também foram incluídos trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, pessoas com deficiência permanente, povos indígenas, população privada de liberdade e outros grupos definidos pelo Programa Nacional de Imunizações.
Para a campanha, Mato Grosso recebeu inicialmente 212 mil doses da vacina contra a influenza. A imunização foi oferecida gratuitamente pelo SUS em Unidades Básicas de Saúde e em pontos organizados pelos municípios, conforme a estrutura local.
A vacinação contra a gripe tem como principal objetivo reduzir o risco de formas graves da doença, internações e complicações, especialmente entre pessoas com maior vulnerabilidade. A proteção também contribui para diminuir a pressão sobre os serviços de saúde durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios.
Multivacinação levou foco à atualização da caderneta
Entre agosto e 1º de setembro, Mato Grosso participou da Campanha Nacional de Multivacinação, voltada a crianças e adolescentes menores de 15 anos. O Dia D ocorreu em 22 de agosto, quando pais e responsáveis foram orientados a procurar as unidades de saúde para conferir as doses pendentes.
A campanha teve caráter seletivo. Em vez de aplicar indiscriminadamente todas as vacinas disponíveis, os profissionais verificaram a caderneta e administraram apenas os imunizantes necessários para iniciar ou completar o esquema previsto para cada faixa etária.
A estratégia reuniu 20 vacinas do Calendário Nacional de Vacinação, com proteção contra doenças como poliomielite, sarampo, meningites, tuberculose, febre amarela, hepatites, influenza, covid-19, dengue e infecções causadas pelo HPV, conforme a idade e a situação vacinal de cada pessoa.
O Ministério da Saúde informou que, em todo o país, a campanha terminou com mais de 8 milhões de doses aplicadas. Em Mato Grosso, a ação foi apresentada como uma oportunidade para recuperar esquemas incompletos e reforçar a proteção de crianças e adolescentes.
As orientações oficiais da campanha podem ser consultadas no Ministério da Saúde.
Nova vacina ampliou proteção contra doenças pneumocócicas
Uma das mudanças de 2026 foi a incorporação da vacina pneumocócica 20-valente, conhecida como Pneumo 20, ao Calendário Nacional de Vacinação. O imunizante protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, associada a doenças como pneumonia, meningite e otite média.
Até 15 de setembro, mais de 24 mil crianças menores de cinco anos haviam recebido a Pneumo 20 pelo SUS em Mato Grosso. No país, o número ultrapassava 1 milhão de crianças vacinadas desde o início da estratégia nacional, em junho.
A introdução da nova vacina ocorre de forma gradual. Durante o período de transição, a Pneumo 10 continua sendo utilizada enquanto houver estoque. Por isso, o esquema pode combinar os dois imunizantes, conforme a idade da criança, as doses já recebidas e os intervalos recomendados.
Para crianças que estão iniciando o esquema, a orientação informada pelo Ministério da Saúde prevê a aplicação da Pneumo 20 aos dois meses, da Pneumo 10 aos quatro meses e de um reforço da Pneumo 20 aos 12 meses, respeitando o intervalo mínimo entre as doses. Crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10 não precisam receber uma dose adicional da Pneumo 20.
A recomendação é que pais e responsáveis levem a caderneta à unidade de saúde. O profissional verificará o histórico e indicará a vacina adequada para cada situação. Também é possível acompanhar informações pela Caderneta Digital da Criança, no aplicativo Meu SUS Digital.
Mais detalhes sobre a vacinação contra doenças pneumocócicas estão disponíveis em informe do Ministério da Saúde.
Calendário passou a prever novo reforço contra a poliomielite
Outra atualização incorporada em 2026 foi a inclusão do segundo reforço da vacina poliomielite inativada, a VIP, aos quatro anos de idade. A alteração passou a valer em 3 de agosto e foi destacada durante a Campanha de Multivacinação.
O Brasil utiliza exclusivamente a VIP no esquema de vacinação contra a poliomielite desde 2024. A manutenção de altas coberturas é considerada essencial para evitar a reintrodução do poliovírus, já que a doença ainda não foi erradicada em todo o mundo.
Durante a conferência da caderneta, as equipes de saúde também verificam se a criança ou o adolescente recebeu doses de vacinas como BCG, hepatite B, pentavalente, rotavírus, meningocócica, tríplice viral, varicela, hepatite A, HPV e dengue, sempre de acordo com a faixa etária e as indicações do calendário.
Vacinação de rotina continua após o fim das campanhas
O encerramento de uma campanha não significa o fim da oferta de vacinas. A vacinação de rotina permanece disponível nas unidades do SUS ao longo do ano, conforme o calendário vigente e a disponibilidade organizada pelas secretarias municipais.
O Ministério da Saúde orienta que a população procure regularmente a unidade de saúde mais próxima para verificar a situação vacinal. A ausência da caderneta não impede necessariamente a vacinação: em caso de perda, o cidadão pode solicitar uma nova via e a equipe poderá consultar os registros disponíveis nos sistemas de saúde.
Em crianças, a conferência deve ser feita principalmente nas consultas de acompanhamento, no retorno às aulas, antes de viagens e sempre que houver dúvida sobre doses atrasadas. Para adolescentes, a verificação também é importante, especialmente em relação às vacinas contra HPV, meningite, difteria, tétano, sarampo, caxumba e rubéola.
As regras podem variar conforme a idade, o histórico de doses, condições de saúde e recomendações específicas para determinados grupos. Por isso, a orientação é evitar decisões baseadas apenas em informações compartilhadas em redes sociais e buscar avaliação de um profissional em uma unidade do SUS.
Municípios concentram atendimento à população
A execução das campanhas depende diretamente da rede municipal de saúde. São as prefeituras que organizam os locais de atendimento, os horários das salas de vacina, a convocação da população e o registro das doses aplicadas.
Em Mato Grosso, a distribuição estadual alcança os 142 municípios. A logística exige armazenamento adequado, transporte em temperatura controlada, registro das aplicações e acompanhamento dos estoques. Esse trabalho permite que as doses sejam disponibilizadas tanto nas unidades permanentes quanto em ações especiais, como os Dias D.
O modelo também busca alcançar pessoas que enfrentam dificuldade para comparecer aos postos durante a semana. A abertura de unidades aos sábados e a realização de ações em locais de maior circulação podem facilitar o acesso, embora a programação dependa de cada município.
Proteção coletiva depende da adesão
As campanhas de vacinação ampliam o acesso em períodos determinados, mas a proteção coletiva depende da continuidade da imunização. Quando muitas pessoas deixam de receber as doses indicadas, aumentam as chances de circulação de doenças que podem ser prevenidas.
Em Mato Grosso, as mobilizações de 2026 combinaram a vacinação contra a influenza, a atualização da caderneta de menores de 15 anos e a oferta de um novo imunizante para crianças pequenas. A estratégia também reforçou a necessidade de manter o calendário em dia fora das campanhas.
Para conferir quais vacinas estão indicadas, a população deve levar a caderneta a uma unidade do SUS ou consultar os canais oficiais do Ministério da Saúde. A análise individual feita pela equipe de vacinação é o caminho mais seguro para identificar doses atrasadas, reforços e eventuais contraindicações.








