sexta-feira, 23 de outubro de 2026
SAÚDE

Saúde da mulher ganha destaque em Mato Grosso com ampliação de exames e atendimento pelo SUS

Mato Grosso ampliou ações voltadas à saúde da mulher, com oferta de consultas, exames e medidas de prevenção ao câncer de mama e do colo do útero. Iniciativas também incluem atenção à gestação, atendimento humanizado e proteção contra a violência.

A saúde da mulher em Mato Grosso ganhou espaço na agenda pública com a ampliação de consultas, exames e ações de prevenção oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS). As iniciativas envolvem desde o acompanhamento ginecológico e o cuidado durante a gestação até o rastreamento dos cânceres de mama e do colo do útero.

Entre as medidas recentes está a programação do Hospital Central de Alta Complexidade de Mato Grosso, que previu mais de 1,2 mil atendimentos exclusivos para mulheres ao longo de março de 2026. A agenda incluiu consultas ginecológicas, ultrassonografias e exames de ressonância magnética da mama, com horários estendidos para facilitar o acesso.

Segundo a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso, foram disponibilizadas 250 consultas ambulatoriais em ginecologia, 430 vagas para ultrassonografia ginecológica e 598 exames de ressonância magnética da mama. A unidade é administrada pelo Einstein Hospital Israelita e opera integralmente pelo SUS.

Prevenção e diagnóstico precoce

O foco das ações está na identificação antecipada de doenças, uma estratégia que pode aumentar as possibilidades de tratamento e reduzir complicações. No caso do câncer de mama, o acompanhamento deve considerar a idade, o histórico familiar, os sinais apresentados e a avaliação de um profissional de saúde.

Em outubro de 2025, a Secretaria de Estado de Saúde orientou os municípios de Mato Grosso a realizar mamografias pelo SUS também em mulheres de 40 a 49 anos e acima de 74 anos, mesmo sem sinais ou sintomas, mediante decisão conjunta com o profissional responsável. A recomendação foi apresentada em nota técnica para uniformizar o acesso ao exame no Estado.

A orientação ampliou a possibilidade de rastreamento em relação ao público tradicionalmente priorizado pelas diretrizes nacionais. Para mulheres de 50 a 69 anos sem sinais ou sintomas, o Instituto Nacional de Câncer indica a mamografia de rastreamento a cada dois anos, conforme as diretrizes disponíveis. A indicação individual pode variar de acordo com os riscos e a avaliação clínica.

A SES-MT também recomendou que as prefeituras adotem horários alternativos nas unidades básicas de saúde, como atendimentos noturnos e aos fins de semana. A medida busca alcançar mulheres que enfrentam dificuldades para comparecer aos serviços durante o horário comercial.

Câncer de mama ainda exige atenção

Dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde mostram que Mato Grosso registrou 349 novos casos de câncer de mama em 2023 e 346 em 2024. De janeiro a setembro de 2025, foram contabilizados 345 novos casos. Os números são parciais e não representam necessariamente o total fechado do ano.

Em relação às mortes, o Estado registrou 255 óbitos por câncer de mama em 2023 e 261 em 2024. Até setembro de 2025, foram informados 177 óbitos. Entre essas mortes, 40 ocorreram em mulheres de 60 a 69 anos, 35 na faixa de 50 a 59 anos e 34 entre 40 e 49 anos.

Os registros reforçam a importância de procurar a unidade de saúde diante de alterações como nódulo persistente, mudança no formato ou na pele da mama, retração do mamilo, secreção sanguinolenta ou aumento de gânglios na axila. Esses sinais não confirmam a presença de câncer, mas devem ser avaliados por uma equipe de saúde.

Prevenção do câncer do colo do útero

O câncer do colo do útero também está entre as prioridades das políticas de saúde da mulher. A doença está associada, na maioria dos casos, à infecção persistente por tipos oncogênicos do papilomavírus humano, o HPV. A vacinação e o rastreamento são medidas fundamentais para reduzir o risco e identificar lesões antes que evoluam.

O exame citopatológico, conhecido como Papanicolau, continua sendo utilizado na rede pública para o rastreamento conforme as orientações do Ministério da Saúde. A realização periódica do exame permite identificar alterações celulares e encaminhar a paciente para investigação e tratamento, quando necessário.

Em campanha de prevenção realizada em 2025, a Associação Mato-Grossense dos Municípios informou o registro de 547 casos de câncer do colo do útero nos municípios do Estado. Como os dados foram apresentados em contexto de mobilização e podem estar sujeitos a atualizações dos sistemas oficiais, a interpretação deve considerar a fonte e o período de referência.

A vacinação contra o HPV também integra a estratégia de prevenção. A imunização é oferecida pelo SUS dentro do calendário nacional e deve ser verificada nas unidades de saúde, especialmente para crianças e adolescentes que fazem parte do público-alvo. Mulheres adultas que não foram vacinadas devem buscar orientação profissional sobre a possibilidade de vacinação.

Cuidado materno e atenção integral

A saúde da mulher não se limita aos exames preventivos. O acompanhamento pré-natal, a assistência ao parto, o cuidado no pós-parto, a saúde mental, a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e o planejamento reprodutivo fazem parte da atenção integral.

A Secretaria de Estado de Saúde elaborou uma Caderneta da Gestante Mato-Grossense com participação de profissionais da rede, representantes do Distrito Sanitário Especial Indígena Xavante e representantes de etnias ciganas. O material foi apresentado como instrumento de apoio à proteção da gestante, à organização das informações e à melhoria do cuidado materno e neonatal.

O acompanhamento deve começar preferencialmente assim que a gravidez for identificada. Nas consultas, a equipe pode verificar a saúde da gestante, solicitar exames, atualizar vacinas, acompanhar o desenvolvimento da gravidez e orientar sobre sinais de alerta. Em situações de risco, o encaminhamento para serviços especializados deve ocorrer conforme a necessidade clínica.

A organização da assistência é especialmente relevante em um Estado de grande extensão territorial, com municípios distantes dos centros de referência. A articulação entre atenção básica, regulação e serviços de média e alta complexidade é necessária para evitar interrupções no atendimento.

Direito a acompanhante durante consultas e exames

Outro ponto relacionado à humanização do atendimento é o direito de a mulher estar acompanhada durante consultas, exames e procedimentos. Em Mato Grosso, a Lei Estadual nº 11.852/2022 e a Lei Federal nº 14.737/2023 asseguram essa possibilidade nos estabelecimentos públicos e privados de saúde.

O acompanhante pode ser uma pessoa maior de idade escolhida pela própria mulher. A regra vale inclusive para consultas e exames ginecológicos e não depende de uma autorização prévia do serviço. Em procedimentos que envolvam sedação, a legislação federal também garante o acompanhamento, observadas as condições de segurança da unidade.

A medida busca ampliar a autonomia das pacientes e oferecer mais segurança durante o atendimento. Em caso de dúvida sobre a aplicação do direito, a mulher pode solicitar orientação à direção da unidade, à ouvidoria do serviço ou aos canais oficiais da rede de saúde.

Atendimento às mulheres em situação de violência

A violência contra a mulher também é uma questão de saúde pública. Além dos impactos físicos, episódios de violência podem provocar sofrimento psicológico, gravidez indesejada, infecções sexualmente transmissíveis e agravamento de doenças crônicas.

O atendimento deve ser realizado de forma acolhedora, sigilosa e sem culpabilizar a vítima. A rede de saúde pode prestar cuidados imediatos, registrar informações clínicas, orientar sobre medidas de proteção e encaminhar a mulher para serviços especializados, assistência social e órgãos de segurança e Justiça, conforme o caso.

O Plano Estadual de Metas para o Enfrentamento da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para o período de 2025 a 2035 prevê a articulação de políticas públicas nas áreas de saúde, educação, assistência, direitos humanos e Justiça. O documento também estabelece diretrizes para estruturar redes de atendimento nos municípios.

Desafios para ampliar o acesso

Apesar do aumento de ações e da oferta de exames, a efetividade das políticas depende da continuidade do atendimento. Não basta disponibilizar vagas: é necessário garantir que a mulher consiga chegar ao serviço, realizar o exame, receber o resultado e ter acesso ao tratamento quando houver alteração.

A distância entre municípios, a falta de informação, a dificuldade de conciliar o atendimento com o trabalho e a espera por procedimentos especializados podem atrasar o diagnóstico. Por isso, estratégias como busca ativa, unidades móveis, horários ampliados e integração entre os serviços municipais e estaduais são importantes para reduzir barreiras.

Em 2023, hospitais regionais de Sorriso, Cáceres, Rondonópolis, Sinop, Alta Floresta e Colíder realizaram ações voltadas à saúde da mulher, com consultas ginecológicas, mamografias, exames citopatológicos, ultrassonografias e palestras. A experiência mostrou como a descentralização pode aproximar os serviços de mulheres que vivem fora da capital.

Como buscar atendimento pelo SUS

A porta de entrada para a maior parte dos cuidados é a unidade básica de saúde do município de residência. Nesses locais, a mulher pode solicitar avaliação clínica, orientação sobre exames, vacinação, planejamento reprodutivo, pré-natal e encaminhamentos para serviços especializados.

Para facilitar o atendimento, é recomendável levar documento de identificação, cartão do SUS e exames anteriores, quando disponíveis. Os documentos exigidos e o fluxo de encaminhamento podem variar entre os municípios. Por isso, a orientação é procurar diretamente a unidade básica ou a Secretaria Municipal de Saúde.

Mulheres com sintomas persistentes, sangramento anormal, dor intensa, alterações nas mamas ou sinais relacionados à gestação devem buscar atendimento sem esperar campanhas temáticas. A prevenção e o diagnóstico não devem ficar restritos aos meses de março ou outubro.

Com ações voltadas à prevenção, ao cuidado materno, à ampliação do diagnóstico e à garantia de direitos, Mato Grosso tenta fortalecer uma rede de atenção mais abrangente. O principal desafio é transformar a oferta de serviços em acompanhamento contínuo, com acesso adequado para mulheres de todas as regiões e diferentes condições de saúde.